Após a recomendação de suspensão da vacina da AstraZeneca em gestantes, a pergunta que fica é: e quem tomou a primeira dose do imunizante? O que deve fazer?

“As grávidas ou puérperas que já se imunizaram com a vacina da AstraZeneca deverão estar atentas a sintomas como cefaleia, febre, sudorese e outros sintomas não habituais, devendo procurar uma unidade de saúde para exames”, orienta o presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Agnaldo Lopes.

E a segunda dose, por enquanto, não deve ser aplicada nessas mulheres. No Brasil, a vacina é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz). A interrupção, conforme a agência reguladora, é resultado do monitoramento de eventos adversos. 

Em Minas, o Estado informou que irá seguir a orientação do Ministério da Saúde. Porém, até o fechamento desta edição, a pasta federal não havia se pronunciado sobre a nota técnica da Anvisa.

OUTRAS CIDADES
Em Betim, na Grande BH, a suspensão foi determinada na manhã desta terça-feira (11). “As gestantes que já tomaram a primeira dose do imunizante da AstraZeneca, se sentirem qualquer reação adversa, deverão procurar a unidade de referência do pré-natal”, informou o secretário municipal de Saúde, Augusto Viana. Em Nova Lima, ainda na região metropolitana, o serviço também foi interrompido.

Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a administração municipal declarou que suspendeu a aplicação da AstraZeneca de forma preventiva em grávidas até que receba nova orientação do Ministério da Saúde. O município também interrompeu a vacinação de puérperas (mães que tiveram filho recentemente), alegando precaução e segurança.

Gestantes e mães recentes também deixam de ser vacinadas com o imunizante em Juiz de Fora e Viçosa, na Zona da Mata. Já em Divinópolis, na região Central, a paralisação vale apenas para as grávidas.

O governo de Minas disse que aguarda posicionamento e orientações do Ministério da Saúde para definir as medidas a serem tomadas. 

Mais 100 milhões da Pfizer
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou nesta terça-feira (11) que o governo vai comprar mais 100 milhões de doses da vacina produzida pela farmacêutica Pfizer para serem usadas no Programa Nacional de Imunização (PNI) contra a Covid-19. A compra foi viabilizada após a edição de uma medida provisória (MP) que abre crédito extraordinário total de R$ 5,5 bilhões, anunciada na segunda-feira (10).

Parte desse recurso, cerca de R$ 1,68 bilhão, será destinada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a fabricação, em território brasileiro, de 50 milhões de doses da vacina da AstraZeneca. Os R$ 3,82 bilhões restantes serão usados na compra da Pfizer. 

“O presidente me incumbiu de impulsionar nossa campanha de vacinação. E é isso que estamos fazendo. O Brasil já é o quinto país que mais distribui vacinas à sua população. Nas mais de 38 mil salas de vacinação, nós temos o potencial de vacinar mais de 2,4 milhões de brasileiros por dia”, afirmou o ministro, durante cerimônia para anunciar o repasse de recursos a prefeituras para serviços de atenção primária à saúde. Segundo Queiroga, as novas doses da Pfizer só devem começar a chegar em setembro, com previsão final de entrega até o fim do ano. 

“Essas vacinas serão entregues ainda neste ano. Mais de 30 milhões no mês de setembro e as demais, até dezembro. Então, temos vacinas, de reconhecida eficácia, comprovadas pelas agências sanitárias mais rigorosas do mundo e vamos vacinar todos os brasileiros”, acrescentou.

Até agora, de acordo com o painel Vacinômetro, produzido pela plataforma Localiza SUS, do Ministério da Saúde, foram distribuídas 75,5 milhões de doses e vacinadas 46,8 milhões de pessoas.

*Com Agência Brasil e Hoje em Dia