Para muita gente, uma boa fatia de torta, aquele pudim caramelizado ou um rechonchudo brigadeiro podem aliviar qualquer tristeza. Mas é preciso tomar muito cuidado. Açúcar é vilão – e não mocinho – quando o assunto é alimentação e saúde. Refinado, mascavo, demerara, não importa! A ingestão de açúcar prejudica a imunidade. 

O açúcar eleva rapidamente o nível de glicose no sangue, favorecendo a formação de gordura visceral, a famosa gordura localizada, que, na mulher, é mais comum nos quadris, e, no homem, costuma ficar mais evidente no abdome. E essa gordura, explica o nutricionista Michel Cardoso De Angelis Pereira, do Conselho Regional de Nutrição do Estado (CRM9), aumenta as citocinas, um tipo de proteína que intensifica a inflamação. 
 
PREJUDICIAIS
“Os doces, de forma geral, aceleram esse processo da formação da gordura. Se a pessoa tem gordura visceral em maior proporção, tende a ter mais citocinas inflamatórias, o que prejudica o sistema imunológico”, alerta De Angelis, também professor do curso de Nutrição da Unidade Federal de Lavras.

A tendência é que, quanto maior o percentual de gordura, mais citocinas e menor resposta do sistema imunológico no organismo, algo que preocupa ainda mais em tempos de Covid-19. “Esse também é um dos fatores de risco para pessoas com idade avançada, que, mesmo não sendo obesas, têm mais propensão a gordura visceral”, esclarece.
 
CONSCIENTIZAÇÃO
“A questão é a pessoa se conscientizar, tentar diminuir o consumo gradativamente, não tentar fazer isso de forma brusca. Ter consciência de que deve reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados. Se tiver açúcar, glicose ou derivados, é rico em açúcar”, adverte. 

O ideal é uma educação alimentar e nutricional para se adaptar à mudança e substituição dos alimentos, de acordo com as possibilidades de cada pessoa – econômicas, culturais, levando em conta o tempo disponível.

COMO SUBSTITUIR
Frutas, castanhas e nozes, diz ele, auxiliam muito nessa substituição para alimentos mais saudáveis. Outra dica do nutricionista é evitar refeições de grande volume. “A pessoa que come poucas vezes ao dia tende a consumir grandes quantidades, o que facilita formação de gordura visceral, no intestino, no fígado, e a gordura abdominal”, alerta.

SAIBA MAIS
No caso de doenças como a Covid-19, o excesso de açúcar no sangue deixa as pessoas mais suscetíveis a serem infectadas e com menos probabilidade de cura. O reforço no alerta é do coordenador da equipe de Nutrição do Hospital Paulo de Tarso, em Belo Horizonte, nutrólogo Juan Bernard.

“Compromete nossa resposta de imunidade, de cicatrização, vai fazer com que as células de defesa funcionem pior. Você fica mais suscetível a uma infecção, você mata aquele agente infeccioso com menos efetividade”, esclarece o médico.

O açúcar gera uma resposta inflamatória exacerbada. “E tudo no nosso corpo tem que ser balanceado. O excesso de açúcar vai piorar a resposta inflamatória imunológica, alimentos com gorduras trans, por exemplo, estimulam uma inflamação descontrolada”.