Produzir uma muçarela de qualidade e de forma sustentável. Esse foi o desafio a que se propôs o produtor norte-mineiro Clodoaldo Mendes, de São Francisco. Toda a dedicação para construir um empreendimento que leva ao mercado produtos de primeira linha e que protege o meio ambiente foi reconhecida.

Clodoaldo foi agraciado, no ano passado, com o VI Prêmio da Agricultura Familiar, oferecido pelo Banco do Nordeste, na categoria Sustentabilidade.

“Essa premiação é um grande incentivo para continuar. Quando comecei, o pessoal por aqui nem sabia direito como funcionava um laticínio. Foi difícil e, a partir de 2017, eu procurei a Emater e, junto com a Secretaria de Agricultura de São Francisco, fui tendo as orientações para ir melhorando a produção”, conta.

No início, a queijaria na propriedade da família, a Fazenda Riacho Fundo, produzia de três a cinco quilos de muçarela de leite de vaca por dia. Atualmente, a produção diária já chega a 70 quilos. Para essa ampliação, ele contou com o apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) e com o crédito rural do Banco do Nordeste.

Mais conhecido como Toê, um apelido que herdou do avô, Clodoaldo mantém um negócio que atende todas as exigências legais e de inspeção sanitária e ainda passou a adotar processos sustentáveis na propriedade.

 REAPROVEITAMENTO
Na fazenda é utilizada a adubação orgânica das pastagens e das lavouras de milho e mandioca, com o reaproveitamento dos dejetos do gado, após passar por um tratamento. O esterco dos animais também abastece o biodigestor, que produz o gás utilizado na cozinha da residência e que aquece a água utilizada na queijaria.

“O esterco é colocado no biodigestor, em forma de um grande saco, onde ocorre a produção do gás, que sai através da mangueira acoplada, onde tem uma válvula de segurança. Esse gás é direcionado tanto para o laticínio quanto para a cozinha da residência. E o restante do material orgânico vai para um tanque, de onde é bombeado para as pastagens e outras culturas, no sistema de fertirrigação”, explica o coordenador regional da Emater-MG em São Francisco, Antônio de Faria Salgado.

Para conduzir a queijaria, Toê conta com o auxílio de uma irmã e de uma funcionária. A agroin-dústria já movimenta a economia de toda a comunidade, pois, para dar conta do aumento da produção de muçarela, a queijaria do Toê compra leite de propriedades vizinhas, que complementam o leite ordenhado das 12 vacas da fazenda Riacho Fundo.
 
REFERÊNCIA
A propriedade de Clodoaldo Mendes se tornou referência no uso de várias tecnologias ambientais, com reutilização de resíduos e tratamento adequado dos recursos hídricos. Além do prêmio que recebeu, o reconhecimento se reflete no aumento das vendas.

“O crédito foi fundamental para eu chegar onde estou”, afirma o empreendedor, que já planeja novas melhorias na propriedade, como a implantação de geração de energia fotovoltaica para reduzir o custo com energia elétrica, além da instalação de internet para poder atender mais clientes.