A vacinação contra a Covid-19 no Norte de Minas não tem seguido o ritmo necessário. A região foi apontada pelo secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, como um dos locais onde “os números precisam melhorar”. A preocupação está relacionada principalmente com a terceira dose, que ainda está longe do ideal quando comparada ao restante do Estado.

Minas já imunizou com a primeira dose 92,26% das pessoas acima de 12 anos, enquanto o Norte de Minas conseguiu chegar a 85,59%, segundo dados desta segunda-feira (24).

A segunda dose já foi recebida por 87,18% dos mineiros com mais de 12 anos, mas a apenas 77,71% dos norte-mineiros. A diferença é ainda maior quando se compara os índices da terceira dose: 24,67% no Estado e 15,59% no Norte de Minas.

“É uma questão que tem sido muito trabalhada com os municípios. A sensibilização, a busca ativa, temos insistido muito nisso. As equipes de atenção primária têm cadastro e registro dessa população que está com a segunda dose e a de reforço em atraso. É extremamente necessário que as equipes de atenção primária consigam trazer essa população com segunda dose para a dose de reforço”, ressalta Agna Menezes, coordenadora Epidemiológica da Diretoria Regional de Saúde.

Para ela, a situação na região é realmente preocupante e vai além da busca pela terceira dose. “Estamos vivendo um cenário de aumento no número de casos. Felizmente isso não se refletiu em aumento de óbitos, mas acende o alerta para a necessidade de melhorar nossas coberturas vacinais”, afirma.

Agna diz que o índice de cobertura vacinal da segunda dose também é motivo de preocupação. “Há pessoas que não procuraram o sistema de saúde para completar este esquema primário. É importante completar o calendário vacinal”.
 
RISCO MAIOR 
Um levantamento feito pelo Comitê Especial de Enfrentamento à Covid-19 da Prefeitura do Rio de Janeiro mostra que a taxa de mortes pela doença é 27 vezes maior entre idosos com vacinação incompleta. 

Os indicadores mostram que a vacinação vem cumprindo seu objetivo principal, que é a redução de casos graves, hospitalizações e óbitos. O boletim mostra que, entre os idosos que receberam a dose de reforço, houve 2,9 mortes a cada 100 mil habitantes na cidade, entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022.

A taxa sobe para 16,2 vítimas a cada 100 mil habitantes entre os idosos que receberam duas doses ou dose única sem a dose de reforço, e chega a 78 mortes por 100 mil habitantes quando são considerados aqueles que não receberam nenhuma dose ou não chegaram à segunda dose.
 
ADOLESCENTES E ADULTOS
O boletim também fez uma análise da mortalidade e das taxas de internações entre pessoas de 12 a 59 anos. Entre esse público, não foi registrada nenhuma morte entre os completamente vacinados no período analisado. Já entre os não vacinados ou com imunização incompleta, a mortalidade foi de 1,8 vítima a cada 100 mil habitantes.

A frequência de internações entre os não vacinados foi dez vezes maior que entre os vacinados: foram registradas 17,5 internações de adultos e adolescentes não imunizados a cada 100 mil habitantes. Já entre os totalmente vacinados, a taxa de internações foi de 1,77 a cada 100 mil.

Reforço reduz casos graves
“Já tomei a terceira dose, tenho comorbidade e acredito na vacina”, diz aliviada a montes-clarense Andrea Teixeira. Já a cuidadora E.N. diz não ter resistência à proteção e que vai tomar a dose de reforço, mas com ressalvas. “Vou tomar sim, mas tenho minhas dúvidas: se ela não previne contra a variante Ômicron, qual a necessidade dessa dose extra se é justamente essa variante que está causando tanto medo?”, questiona.

Da mesma forma que acontece com as demais cepas do coronavírus, a vacina não impede que a pessoa seja contaminada, mas que desenvolva o quadro grave da doença, com internações e morte.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ressalta que a prioridade deve ser a aplicação da segunda dose e da dose de reforço. Para o ministro, com a variante Ômicron, o país está diante de uma possível terceira onda da pandemia de Covid-19.

“A prioridade é a aplicação da segunda dose e da dose de reforço. Estamos diante de uma possível terceira onda em função da variante Ômicron, aumentando o número de casos”, disse o gestor da pasta. 

“Os dados iniciais apontam que, em países que têm um nível de vacinação equiparado ao Brasil, a Ômicron não tem gerado tanto impacto sobre o sistema hospitalar e sobre as unidades de terapia intensiva, mas o vírus é um inimigo imprevisível e nós não temos que baixar a guarda”, destaca.

O secretário de Saúde de Coração de Jesus, Guilherme Leal, diz que a população está respondendo bem à campanha, mas o município não para de montar estratégias para que os moradores completem o ciclo.

“Fazemos o reforço conforme orientação do Estado. Quando completa os quatro meses, aqueles que estão aptos têm aceitado a vacina. A adesão está sendo boa. No caso de pacientes que possuem dificuldade de locomoção, que não conseguem ir até as unidades de saúde, as equipes vão até o domicílio. Nossos índices são bons, mas adotamos diversas estratégias para fazer mais gente aderir à campanha”, explica.

*Com Agência Brasil