O pagamento do Auxílio-Gás, programa do governo federal que vai destinar R$ 52, a cada dois meses, à população de baixa renda para compra do botijão começou a ser pago nesta terça-feira (18). A previsão é a de que o benefício atenda 5,47 milhões de famílias e injete R$ 285 milhões na economia do país em janeiro. Apesar de ser descrita como “bem-vinda” pelo público-alvo e revendedores de gás, a medida é encarada, por ambos os lados, como ineficiente. 

O benefício corresponde a 50% da média do preço do botijão de 13kg, conforme valor apurado pela (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A referência para janeiro de 2022 é R$ 98,12 e vale para todo país. Na capital mineira, por exemplo, o valor médio do produto é R$ 109,50, segundo pesquisa do Mercado Mineiro.

José Luiz Rocha, presidente da Associação Brasileira de Entidades de Classe das Revendas de Gás (Abragás), afirma que o segmento de revenda do insumo nunca foi consultado pelo governo federal para contribuir com a construção do programa e que ele apresenta falhas que comprometem seu objetivo. 

“Primeiro, não paga um gás inteiro e nem meio, dependendo da região do país. Se a pessoa não dispuser do restante do valor, qual a chance de ela esperar dois meses para receber mais R$52 e ainda direcionar para compra de gás?”, questiona.
 
SEM CARIMBO
A Abragás estima que, em 2021, as vendas de botijões de gás caíram em torno de 3,5% em relação a 2020. Segundo José Luiz, mesmo com a injeção milionária destinada ao produto final do segmento, não foi planejada nenhuma ação para aumento de estoque em janeiro. O motivo da baixa expectativa é que o auxílio é depositado em dinheiro e nada garante que ele vai ser utilizado na compra de gás. 

“Mesmo que fosse funcionar como um complemento, esse valor deveria ser estruturado de uma forma que vinculasse o benefício diretamente com o segmento de revenda, responsável pela entrega ao consumidor. Só assim o dinheiro seria carimbado para compra de gás. Em relação à logística, estamos preparados, mas não esperamos que as vendas aumentem”, avalia.

“Em dezembro de 2020, a gente vendia o botijão entre R$ 65 e R$ 75. De um ano para outro, ele passou para R$ 105. Pode até ser que isso resolva ou não o problema, mas de toda forma o valor praticado é altíssimo”, avalia Júnior Garzon, gerente de uma distribuidora.

Desempregada há cinco anos, a moradora do aglomerado Cabana do Pai Tomás (Oeste de BH), Patrícia Gomes, é mãe de três crianças e vai receber o benefício nos próximos dias. 

“Onde vou encontrar um gás de R$52? Onde moro, encontrei por R$ 106 e disseram que vai subir para R$110. Ou seja, de todo jeito, vou precisar dar um jeito de inteirar”, afirma.
 
QUEM PODE RECEBER
Têm direito ao benefício todas as famílias inscritas no CadÚnico com renda familiar mensal menor ou igual a meio salário-mínimo por pessoa e que já estão inscritas no Auxílio Brasil. 

De acordo com o Ministério da Cidadania, a inserção no programa acontece de maneira automatizada, seguindo os mesmos critérios e cronograma do Auxílio Brasil, com ordem de pagamento definida pelo último algarismo do Número de Identificação Social (NIS) das pessoas cadastradas. 

O pagamento começou a ser depositado ontem (18) para os beneficiários com final de NIS 1 e vai até 31 de janeiro, com o pagamento para quem tem NIS terminado em 0. O valor será concedido a cada dois meses (consulte a tabela).

Segundo a pasta da Cidadania, dos R$ 285 milhões que devem ser injetados na economia pelo programa durante janeiro, o Nordeste é a região com o maior número de atendidos – cerca de 2,74 milhões de contemplados – e receberá a maior fatia: R$ 142,45 milhões. Em seguida, o Sudeste aparece com 1,78 milhões de beneficiados e um repasse de quase R$ 93 milhões.