Diante da pandemia do novo coronavírus, uma das maiores preocupações é cuidar da higiene, principalmente das mãos. Mas a higiene bucal também exige atenção, já que uma das portas principais de entrada do vírus é a boca. Manter uma boa higiene bucal é também importante forma de prevenção de doenças nesta pandemia. 

E o cuidado redobrado com a higiene das mãos é de extrema importância para a saúde bucal. Com as mãos, passamos o fio dental, escovamos os dentes, ou seja, elas estão o tempo todo em contato com a boca. 

Outra dica importante é a forma correta de cuidar das escovas dentais e dos higienizadores de língua, mantendo-os imersos em solução desinfetante, à base de água e enxaguante bucal, para evitar a reinfecção após cada uso.

Na Entrevista desta semana, O NORTE conversou com o professor Jairo Evangelista Nascimento, coordenador do curso de Odontologia do Centro Universitário Funorte. Ele fala sobre os cuidados com a higiene bucal, o trabalho na clínica-escola da faculdade e a postura dos profissionais neste período e no pós-pandemia.
 
Diante da pandemia do novo coronavírus, fala-se muito do cuidado da higiene das mãos. Mas, a higiene bucal também deve ser intensificada, já que é uma das portas principais de entrada do vírus?
A higiene bucal não precisa ser intensificada, mas é importante que os cuidados recomendados sejam sempre realizados, como escovar os dentes três vezes ao dia, sobretudo antes de dormir, e utilizar o fio dental pelo menos uma vez ao dia. Realizar corretamente as técnicas de escovação e de utilização do fio dental são fundamentais para eficácia das mesmas. Recomendamos a visita ao dentista de 6 em 6 meses ou pelo menos uma vez ao ano, dependendo do acompanhamento que já faça com o seu profissional.
 
É preciso algum cuidado extra com a higiene bucal nesse período?
Não. Por outro lado, hábitos parafuncionais devem ser evitados, por exemplo, roer unha a todo momento, molhar o dedo na língua para passar páginas de leitura ou contar dinheiro, são situações que podem favorecer a contaminação.
 
Há quanto tempo funciona a clínica-escola da faculdade? Quem pode ter acesso ao serviço e como ter acesso?
A Clínica-escola de Odontologia já funciona há mais de 15 anos. Nela são atendidos todos que procuram por tratamento odontológico. O contato inicial pode ser por telefone, presencial ou por busca direta, quando os estudantes fazem eventos que incluem exame bucal em escolas, praças ou direto nos bairros de Montes Claros. Nestes casos, faz-se uma lista com os contatos das pessoas que apresentam alguma necessidade de tratamento bucal. Mantemos um cadastro de espera que é chamado à medida que as vagas vão surgindo. Quando a pessoa é chamada, ela recebe todo o tratamento de que necessita, dentro daqueles que fazem parte do escopo de tratamentos oferecidos lá. Anteriormente à pandemia, o volume de atendimento por dia ficava em torno de 80 a 100 pacientes.
 
Com a pandemia, foi necessário reduzir o número de pacientes, mas vocês continuam mantendo o atendimento para todos os tratamentos ou só urgência e emergência?
No momento de pandemia, sobremaneira nos momentos mais críticos e de acordo com as recomendações da legislação vigente, mantivemos os atendimentos de urgência e emergência. Com a flexibilização das regras, vamos retomar aos poucos os atendimentos eletivos, observando todos os cuidados de biossegurança e recomendações de distanciamento.
 
Como o aluno do curso de Odontologia tem vivenciado essas práticas profissionais e atendimento aos pacientes neste tempo de pandemia?
Todos estamos apreensivos e, por isso, todas as medidas de biossegurança e afastamento têm sido tomadas com a responsabilidade de todos, acadêmicos, professores e profissionais que auxiliam nas clínicas. A instituição facultou aos acadêmicos a possibilidade de participarem ou não das atividades clínicas neste momento de pandemia. Assim, qualquer estudante que quisesse e, principalmente, aqueles que apresentassem alguma condição de saúde relacionada à possibilidade de complicações pela Covid-19, ou que convivessem com familiares e pessoas nesta situação, puderam suspender temporariamente suas atividades, que serão repostas em momento oportuno. Para os acadêmicos que preferiram manter as atividades, todos os cuidados de afastamento e biossegurança têm sido observados.
 
Odontologia pós-pandemia: o que vai mudar após tudo isso?
Mais do que nunca temos vivido o conceito de mundo VICA, criado na década de 1990, e que faz tanto sentido nos dias atuais. É o conceito de mundo Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo. A certeza que temos é que não voltaremos ao normal do jeito que era, mas sim, para um novo normal. Manteremos por algum tempo as medidas de afastamento e segurança que, com o tempo, serão transformadas e em alguma medida incorporadas ao cotidiano permanente das pessoas. No campo do ensino, as tecnologias de ensino remoto tiveram um crescimento exponencial e, embora estejamos saudosos do contato direto, próximo e caloroso das salas de aula, muitas possibilidades foram desenvolvidas e não poderão ser mais, digamos, “desincorporadas” das possibilidades de ensino-aprendizagem.

Hábitos parafuncionais devem ser evitados, por exemplo, roer unha a todo momento, molhar o dedo na língua para passar páginas de leitura ou contar dinheiro, são situações que podem favorecer a contaminação. Jairo Evangelista Nascimento, coordenador do curso de Odontologia da Funorte