Games de luta são tão antigos quanto os videogames. Eles surgiram nos anos 1980, naturalmente, para fliperamas, e depois passaram a figurar nos consoles domésticos. Nas máquinas de arcade, os jogos de luta se tornaram os campeões de faturamento. Afinal, eram jogos extremamente difíceis, que permitiam que mais de um jogador apostassem suas fichas numa luta.

Os primeiros games tinham como temática o boxe. Afinal, a nobre arte estava em alta na mídia. A série “Rocky”, de Sylvester Stallone, fazia um sucesso absurdo, e, no mundo real, emergia o fenômeno Mike Tyson. Mas, com a popularização dos filmes de artes marciais, a indústria resolveu apostar na temática.

A Capcom se aventurou com o primeiro episódio de “Street Fighter”, em 1987. Um game 2D, com duas opções de escolhas de personagens (Ryo e Ken), que eram praticamente clones. No entanto, a Atari viu que poderia fazer algo novo. Nada de bonecos caricatos, mas personagens reais.

Foi então que ela desenvolveu “Pit-Fighter”, que chegou aos fliperamas em 1990. Ele foi dos primeiros jogos com captura de imagens reais, que foram digitalizados. Efeitos de zoom, visão isométrica, máquina para até três jogadores simultâneos.

Briga de rua

Hoje, “Pit-Fighter” parece tão bizarro como os primeiros games com vetores poligonais que surgiram na mesma época. Era um momento em que a indústria buscava soluções para simulação de física e realismo visual.

Era tudo muito sofisticado, mas, no final dos anos 1980, nenhum game sobreviveria apenas com interesse das casas de fliperama. Ainda mais num gabinete exclusivo de três controles, que exigia não apenas a troca da placa do game, mas toda a estrutura. 

A solução era migrar para os consoles. A versão para Mega Drive foi lançada há 30 anos e ajudou a impulsionar o game. O título estreou em 1991, com produção assinada pela Tengen, e buscava reproduzir o game para arcade. 

A edição original contava com digitalização de cenas reais. No console da Sega, a limitação do hardware penalizava a qualidade visual, mas essa perda de qualidade era atenuada pela baixa definição dos televisores. Para quem estava acostumado com games com bonequinhos coloridos em Pixel Art, “Pit-Fighter” era quase foto realista. 

Personagens

O game não tem uma história, como nos demais jogos de luta que surgiram posteriormente. No game há três personagens: Ty, Buzz e Kato. Cada um tem suas peculiaridades, com velocidade, força e agilidade.

Buzz é ex-lutador profissional wrestling e tem como atributo a força, mas é lento. Já Kato se apresenta como mestre de terceiro dan (não especifica qual arte marcial), que tem como vantagem a velocidade, mas com pouca força. E, por fim, Ty, lutador de kickboxing que tem como qualidade a agilidade, é o personagem mais equilibrado.

Os golpes se resumem basicamente a socos, chutes, voadoras, pisões, assim como arremessos. Uma curiosidade, Kato era o nome do personagem asiático de “Besouro Verde”, interpretado por diferentes atores, inclusive, Bruce Lee. 

Mas o melhor personagem do game é Ty, uma espécie de carbono de Jean Claude Van-Damme. No final dos anos 1980, o ator belga era a sensação dos filmes de luta, como “Kickboxer” e “O Grande Dragão Branco”. O personagem do game era tão inspirado no ator que na sua tela de apresentação tem as clássicas aberturas de 180 graus, que todo mundo tentava reproduzir na época. 

O jogo

O objetivo do game é ascender no submundo das lutas de rua. O jogador tem uma barra de vida, que não se repõe a cada luta. Por outro lado, há três vidas (no fliperama é apenas uma), o que permite trocar de lutador. 

A cada vitória, o jogador enfrenta um novo oponente, numa sessão de 10 confrontos até o último chefe. Bares, galpões e estações de metrô são arenas. Ao todo, são oito adversários, que vão ficando mais fortes a cada luta. O jogador deve ficar atento para não ser empurrado para a torcida. 

Geralmente, quando isso acontece, o jogador é alvejado com facadas ou garrafas quebradas. Também é preciso ficar atento aos objetos jogados no “ringue”, como facas, tacos, estrelas ninja, bancos, barris e caixotes.

O game oferece fases bônus, em que é preciso derrubar o adversário três vezes. Vencer o desafio apenas aumenta a pontuação. 

Onde encontrar

Encontrar “Pit-Fighter” no mercado de usados não é difícil e os preços não são tão caros. Os valores do cartucho variam entre R$ 50 e R$ 80. Outra opção é a coletânea “Midway Arcade Origins”, lançada em 2012, para PS3 e Xbox 360. 

Atualmente, o game está disponível apenas na versão para o console da Microsoft, ainda em catálogo na loja da Microsoft, por R$ 40. Para quem tem o console, é uma boa pedida, pois a coletânea conta com nada menos que 30 games, como “Super Off-Road” e “Root Beer Tapper”.

Palavra final

“Pit-Fighter” foi um jogo importante na indústria de games. Ele mostrou que havia espaço para games de luta e ajudou a impulsionar franquias como “Street Fighter”, “Mortal Kombat”, “Darkstalkers”, “Samurai Shodown” e “King of Fighters”.