Recentemente a Samsung iniciou as vendas do primeiro televisor 8K para o mercado brasileiro. Trata-se de um equipamento com preços que variam de R$ 23 mil a R$ 65 mil, num mercado onde o padrão do sinal aberto é em HD. Ou seja, resolução oito vezes inferior ao que a tela sul-coreana pode exibir. E diante de um cenário tão adverso fomos perguntar ao fabricante quais são os argumentos para aguçar o desejo do consumidor a investir o valor de um hatch compacto zero numa TV. E quem conversou com a gente foi o gerente Sênior de Produtos de TV da Samsung Brasil, Guilherme Campos.

A TV 8K já é uma realidade no Brasil. Trata-se de um investimento alto e há poucos conteúdos para o consumidor desfrutar. Diante desse cenário quais são as expectativas comerciais para esse primeiro momento de vendas?

A chegada da Samsung QLED 8K ao Brasil marca o posicionamento premium e o pioneirismo da empresa ao trazer essa nova referência de resolução aos brasileiros. A Q900 já está nas lojas e disponível em 65, 75 e 82 polegadas para o consumidor desfrutar da melhor qualidade em imagem e o convite à tal experimentação está fortemente elaborado através de uma ampla campanha de comunicação. Nosso plano, que já está em ação, é ter cobertura nacional, com diversos parceiros comerciais disponibilizando a QLED 8K nos pontos de venda, pensando tanto no consumidor ‘early adopter’, aquele que está sempre ligado nos lançamentos e que deseja ter todas as novidades tecnológicas em primeira mão, quanto em um consumidor apaixonado pelo entretenimento televisivo. Fatores que culminam em uma grande expectativa comercial, não meramente marketing.

Quando os televisores 4K chegaram, em meados de 2013, custavam em média R$ 15 mil. Hoje, é possível comprar um aparelho por R$ 1.500. No caso das TV 8K, os valores são muito superiores, quanto tempo é estimado para que seus preços se tornem factíveis para o grande público?

É normal e compreensível que, conforme a tecnologia ganha aderência do comércio e do público, os preços se acomodem, considerando sobretudo o aumento da produção, o que possibilita um número maior de consumidores com acesso às novidades. Mas a parte disso, a Samsung se predispõe a inovar. Trazer novas referências e transferir benefícios exclusivos de categorias mais altas de maneira cada vez mais ampla e acessível.

É sabido que esses aparelhos são capazes de fazer upscaling de resolução. Essa função está disponível para qualquer conteúdo?

Sim. Independente da fonte do sinal (HD, full HD ou até mesmo 4K) e também independente do reprodutor (TV a cabo, pen drive, serviço de streaming, vídeos na internet, etc), o processador Quantum 8K realiza um aprimoramento de imagem – o famoso ‘upscaling’ –, mas agora com uso de inteligência artificial. O refinamento de imagem (upscaling) é realizada em tempo real, cena por cena, consultando um banco de imagens (são mais de 8 milhões delas) por categorias (paisagens, rostos, esportes, arquitetura, entre outras) na memória interna. As imagens são usadas como referência para completar os pixels faltantes, fazendo com que o usuário possa conferir o conteúdo, independente da fonte nativa (HD, full HD, 4K, por exemplo) em qualidade próxima da 8K. Detalhes e texturas perdidas pela baixa resolução são recriadas graças a esse processador com tecnologia inovadora.

Em termos de metragem de sala, qual é profundidade ideal para uma TV 8K de acordo com o tamanho da tela?

Com a chegada da 8K, os 33 milhões de pixels presentes na tela permitem novas referências para as distâncias entre a TV e o espectador, inclusive a possibilidade de instalar um modelo de tela grande em um espaço pequeno. Se num modelo 4K de 65 polegadas era preciso uma distância mínima de 2,5 a 3,5 metros, com o 8K já é possível a colocação da TV a pelo menos 2 metros de distância, sem qualquer desconforto visual, nem mesmo sendo possível enxergar os pixels na tela devido à alta densidade de pixels por polegada.

É recomendável um projeto de áudio para se ter uma melhor experiência?

Na questão sonora, a qualidade dos alto-falantes presentes na QLED 8K são superiores aos encontrados em outros modelos. Com 60 W RMS, a clareza dos detalhes e a nitidez ao conferir os conteúdos se mostram acima do que vemos atualmente em TVs do mercado. Mas, claro, para os consumidores que quiserem ter uma experiência de cinema com as telas grandes da QLED, recomendamos sim a aquisição de um soundbar Samsung, o que ajudará, além de uma maior potência, graves mais intensos, deixando o usuário completamente imerso no filme ou série favorita.

Quais são as opções de conteúdos disponíveis em 8K? A Samsung tem algum parceiro ou serviço para recomendar ao consumidor?

Em nosso evento de lançamento, tivemos a presença de alguns parceiros, como a Globo, que tem captado alguns conteúdos em 8K. Eles já têm algumas tomadas do carnaval do Rio de Janeiro gravadas nessa resolução, além outras tomadas esportivas. Os testes já estão sendo executados. Com a chegada da QLED 8K, a Samsung impulsiona o mercado e nossos parceiros estão empenhados para entregar o conteúdo em 8K nativo o quanto antes.

Também é válido apontar que assim como foi e tem sido com o 4K – cuja discussão da falta de conteúdo à época de seu lançamento também existia – pretendemos juntos desafiar o mercado de conteúdo. Com o 4K, por exemplo, questionava-se a falta de títulos nessa resolução e hoje já são mais de 1.500 conteúdos disponíveis – inclusive, fizemos uma transmissão de um grande torneio de futebol em 4K ao vivo via streaming para quase 1 milhão de televisores Samsung em pleno uso no mercado. Para o 8K, nossa expectativa é a mesma e almejamos voos tão altos quanto os que já demos e nosso plano de vendas também segue nesse mesmo caminho.

Em termos de consumo de energia, qual é a diferença para um televisor 8K para uma 4K?

Existe uma variação no consumo de energia, o que é natural diante da evolução que apresentamos nesse produto, mas ela pode ser considerada pequena diante de todas as tecnologias e inovações embarcadas na QLED 8K.