Nem toda mulher tenta se encaixar em padrões de beleza e muitas não se intimidam diante da ideia de ter as formas “capturadas” em fotos. Ao contrário! Para elas, os cliques sem roupa – com pouco ou mesmo nenhum retoque – elevam a autoestima e ainda provam que nem toda nudez será castigada. 

A belo-horizontina Thalita Braga, de 29 anos, despiu-se para as câmeras sem muitas expectativas. O resultado do ensaio veio antes mesmo que ela pudesse ver as fotos. “A construção da autoestima de uma mulher gorda, principalmente, é um trabalho diário. Todo dia ela é minada e precisa subir um novo degrau. Esse ensaio me ajudou a ver meu corpo de uma maneira como nunca tinha visto. Tenho muito orgulho disso”, diz.

Thalita emoldurou e guarda no quarto a lembrança de Narciso, ensaio do fotógrafo mineiro Alex Stoppa. Para ele, retratar a nudez da mulher de maneira simples e natural é um incentivo ao empoderamento feminino. “A ideia era deixá-las à vontade, da forma como quisessem ser clicadas e retratadas, sem maquiagem nem produção. Narciso reflete exatamente o que cada uma é, a despeito de qualquer questionamento”, afirma. 

Nudez sem vergonha

NARCISO – Ensaio do mineiro Alex Stoppa despiu mulheres de roupas e preconceitos; Thalita Braga passou a se aceitar melhor e enxergar o corpo de curvas fartas de maneira diferente

“A maioria diz que é um presente para o parceiro, mas acho que é só um pretexto. No fundo, elas sempre tiveram vontade de se ver daquela forma” - Alex Stoppa, fotógrafo

Contraste

A fotógrafa Jô Magalhães, de BH, também captou a beleza do nu feminino de forma bem singular e até inusitada. Em Pele & Pedra, ensaio com cinco escaladoras em Lagoa Santa e Sabará (Grande BH), Ouro Preto (região Central de Minas) e na Serra do Cipó, a poucos quilômetros da capital, ela abriu mão do estúdio e explorou ângulos, enquadramentos e a iluminação natural dos cenários para fazer imagens de cair o queixo. “Não tínhamos regras do que poderia mostrar ou não. Mas deixei claro que queria ressaltar a delicadeza do corpo feminino em contraste com a dureza da rocha, destacando os músculos com os movimentos reais da escalada de forma sutil, natural e sem vulgaridade”, conta. 

Mariana Cabral Avellar, de 27 anos, foi uma das atletas clicadas. Liberdade e desprendimento definem a experiência para a moça. “Me senti mais confiante, mais segura e sempre que lembro do ensaio me vem à cabeça a sensação de ser livre”, afirma. 

No Instagram, o perfil Nude Yoga Girl já caiu no agrado de mais de meio milhão de seguidores. As fotos das posturas de yoga têm como protagonista uma jovem de 25 anos e mostram uma senhora anatomia. No site do projeto, a moça, que mantém anonimato, conta que o objetivo é revelar a nudez natural e não apenas aquela de “poses sexy em frente ao espelho”. Os registros são feitos pelo marido dela, um fotógrafo profissional.

Nudez sem vergonha

SEM FILTRO – Perfil virtual Nude Yoga Girl, divulgado no Instagram, quer provar que todos somos bons exatamente da maneira que somos

“Me preocupo com a pressão que as mulheres sofrem por causa do corpo. E a yoga me ajudou a aceitá-lo e amá-lo. Isso significa estar em paz comigo mesma”, diz a dona da conta na rede social que foi modelo e passou perto de desenvolver distúrbios alimentares em busca de um shape perfeito.

A nudez de atletas norte-americanos viralizou na web depois de estampada nas páginas da ESPN The Magazine em 2016, ano Olímpico. The Body Issue mostrou 19 esportistas, entre homens e mulheres, em poses que remetem ao esporte que praticam. 

Nudez sem vergonha

NATURAL – ESPN The Magazine retratou 19 atletas olímpicos, como April Ross, da forma como vieram ao mundo, mas depois de muito treino

 

Fotografias de nu ajudam a construir autoestima e fortalecem relação conjugal 

A psicóloga Sylvia Flores reforça que a fotografia, seja ela sensual, seja de nudez, de fato contribui para reforçar ou construir a autoestima da mulher, sobretudo quando relacionada à sexualidade. Segundo ela, a sociedade, de certa forma, “proíbe”, o tempo todo, que a mulher deixe aflorar as questões sexuais mais profundas. 

“A sexualidade ligada à feminilidade não é tão desenvolvida na maior partes das mulheres. A elas é permitido e estimulado que sejam femininas, mas sempre com o lado sexual reprimido. Tem sempre aquela questão de mulher que é para casar”, enfatiza.

Na relação a dois, esse tipo de registro tem um papel ainda mais importante, segundo ela. “De certa forma, o marido ou companheiro também passa a enxergar a mulher de outra maneira, muito mais positiva”. 

 

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