Junte um punhado de apreciadores de cerveja artesanal, dezenas de chefs de cozinha querendo se aproximar da comunidade, uma dúzia de produtores locais buscando espaço, milhares de belo-horizontinos famintos por um evento de qualidade e uma pitada de coragem. Misture tudo sem medo e vá aumentando aos poucos, com cuidado. Sirva uma vez por mês sempre no segundo fim de semana. Faça chuva ou faça sol.

Foi dessa receita simples, com ingredientes que até então eram pouco e/ou mal explorados, que se originou a Feirinha Experimente, que completa 1 ano no próximo sábado (14) e que é realizada sempre no segundo sábado de cada mês no Jardim Canadá. A proposta é celebrar a cerveja artesanal e as delícias preparadas por diferentes chefs.

Não é exagero nenhum dizer que o Experimente foi divisor de águas nos eventos cervejeiros e gastronômicos a céu aberto em BH. Com essa feira, esse estilo de programa caiu nas graças da população e não para de se disseminar pela cidade.

Agora todo fim de semana tem um encontro que mistura a fórmula cerveja, gastronomia, feirinha e música.

Parte do sucesso – e do charme – do evento se dá por conta da Feira de Produtores, um espaço que resgata tudo que Minas tem de melhor. Ali é possível comprar pães artesanais, cafés especiais, produtos orgânicos, doces e muito mais. Tudo isso feito com o carinho que apenas o pequeno produtor consegue entregar.

Dos 120 estilos de cervejas existentes no mundo, 55 são reproduzidos em Minas, somando 800 mil litros produzidos ao mês.

Experimentação

A feira Experimente nasceu com a proposta de estimular e valorizar o pioneirismo, a ousadia e a excelência dos produtores de cervejas especiais em Minas e no país.

Segundo o idealizador, o empresário Bruno Lins, o projeto foi criado inicialmente em parceria com as próprias microcervejarias, como uma feira mensal, e hoje está ficando independente. Os números mostram isso.

O Experimente começou com 15 cervejarias e público médio de 3 mil pessoas. Para a edição de aniversário serão 26 cervejarias, mais de 12 espaços gastronômicos e um público aguardado de 8 mil pessoas na Praça dos Quatro Elementos.

“O evento é um catalisador do consumo de cerveja. O brasileiro está descobrindo novos rótulos e entrando no mundo cervejeiro. Para se ter ideia, aqui no Brasil a cerveja artesanal representa menos de 1% do consumo geral da bebida. Nos Estados Unidos, esse número é de mais de 10%. Isso atesta que podemos e temos muito que crescer ainda no setor”, diz Lins.

Mais do que saciar a fome por novidades, os encontros retomam uma pauta social. Com origem, periodicidade e propostas diferentes, as edições do Experimente apresentam um ponto em comum: convidar as pessoas a conviverem mais em locais públicos.

Para o administrador Felipe Azevedo, um frequentador ativo da feirinha, a mudança de BH como uma referência na produção nacional de cerveja e o patamar da comida de rua transformaram o ato de beber e comer em expressão cultural genuína dos belo-horizontinos.

Um mercado que, apesar da crise, não para de crescer

A 12ª edição da Feirinha Experimente é muito importante e especial para a organização do evento. Ela chega tendo muito o que comemorar e ainda que conquistar.

A repercussão foi imediata e mostrou o quanto a Experimente se fazia necessária e desejada pelos produtores e, sobretudo, pelo público.

"É muito gratificante observar nesse ano de Experimente como vários expositores cresceram, ampliando suas fábricas, alcançando novos mercados e vencendo desafios. Somos extremamente gratos por fazer parte dessa história”, diz Bruno.

Além de Belo Horizonte, a Experimente já foi realizada – em edição especial – na cidade de Tiradentes. A organização recebeu propostas para levar o evento para a Argentina e para Portugal, mas acredita que esse seria um passo maior que as pernas poderiam dar.

“Vamos trabalhar num projeto de expansão para mais quatro cidades mineiras em 2016”, revela Lins.