Os pinguins não têm a fama de grandes procriadores, mas, na coleção do empresário Rodrigo Ferraz, o número de bonecos e bichinhos de pelúcia na forma da ave que habita as regiões polares do planeta extrapolou o espaço físico.

Resultado: os cerca de 1.200 objetos tiveram que deixar a choperia Albanos, localizada no Sion, onde ficavam em exposição, e agora aguardam um lugar mais apropriado no apartamento do colecionador.

Apesar do volume, Rodrigo continua recebendo com bom grado os presentes alusivos a pinguins. Não é o único a fazer com que as estatuetas de porcelana deixassem de frequentar a parte de cima das geladeiras.

Além de chamarem a atenção dos adeptos da estética kitsch, em voga desde a década de 90, essas singulares aves que não sabem voar se transformaram em marcas atrativas, exploradas principalmente no cinema.

O lançamento de “Os Pinguins de Madagascar” – em pré-estreia nas salas de Belo Horizonte – é uma prova disso. Personagens secundários da animação “Madagascar”, o quarteto que age como agentes secretos ganhou seu próprio filme.

Há exatamente uma década um documentário francês (“A Marcha dos Pinguins”) virou sensação, ganhando o Oscar da categoria no ano seguinte. No seu rastro vieram “Happy Feet” e “Os Pinguins do Papai”, com Jim Carrey.

Na TV, as crianças também se deliciam com a reexibição da série suíça de desenhos “Pingu”, criada em 1986. Mas na hora de comprar os bonecos, são os adultos que se mostram mais seduzidos pela fofura dos pinguins.

“É um animal simpático, de bom astral e, conforme mostrado em A Marcha do Imperador, muito fiel também”, registra Rodrigo, que teve essa relação reforçada após herdar de um cliente uma coleção com mais de cem pinguins.

É uma história triste: o publicitário Emílio Beletti Rodrigues foi assassinado pelo ex de sua namorada. “Um dia antes do ocorrido estávamos discutindo a realização de uma exposição com seus pinguins no Albanos”.

Rodrigo não só deu continuidade ao desejo do amigo como também passou a ser o “tutor” dos objetos.

Veja o trailer do filme:


Aves de porcelana são como um amuleto para Carico

 

O arquiteto Carico frisa que não é colecionador de pinguins. A sua história com as estatuetas de geladeira tem a ver com uma superstição que garante bons augúrios para os donos dos objetos.

“Tinha acabado de me formar e precisava trabalhar. Como os antigos diziam que trazia sorte, pedi para o office-boy ir até o centro e comprar os pinguins de geladeira”, recorda Carico.

Como precisava de “muita” sorte, mandou logo o funcionário adquirir 20 deles. Hoje os objetos estão reunidos no alto de uma estante enorme, no seu escritório localizado no bairro Funcionários.

“Virou um amuleto. Nunca mais comprei nenhum pinguim. Para aqueles que os vêem em meu escritório e dizem que me darão um de presente, eu aviso que os meus já são suficientes”, assinala.

Só precisava de sorte e, nesse aspecto, garante, não tem do que reclamar. Da mesma forma, a choperia Pinguim se transformou em sinônimo de cerveja de qualidade adotando a ave nos seus letreiros.

Criada em Ribeirão Preto, em 1936, a choperia pegou emprestado o símbolo de marca de cerveja, que tinha uma fábrica na região. Proximidade que, diz a lenda, justifica o sabor do “melhor chopp do Brasil”.

Há nove anos, Belo Horizonte recebeu a primeira filial, no Sion. Além da bebida, uma das atrações do restaurante é uma lojinha com artigos relacionados a pinguins. Não poderia faltar, é claro, os objetos de geladeira.

“Os frequentadores levam os pinguins como um souvenir, uma lembrança de que passaram por aqui”, explica o gerente João Bosco Resende. Nos mais variados modelos, os bonecos têm preços que vão de R$ 13 a R$ 22.

O colecionador tem mais um bom motivo para comemorar seus aniversários na Pinguim. É que ele não sai do restaurante – desde que comprove que está completando anos – sem um exemplar de presente, juntamente com um bolo de algodão doce.


Quarteto questiona fila indiana e invade a Casa da Moeda

O diretor alemão Wim Wenders, cultuado por filmes como “Paris, Texas” e “Asas do Desejo”, faz uma pequena participação em “Os Pinguins de Madagascar”, como ele próprio, numa das sequências mais divertidas da animação.

Na verdade, ele só emprestou a sua voz para a cena em que uma equipe de documentaristas acompanha uma ordeira e fofa comunidade de pinguins na Antártida, uma ótima brincadeira com “A Marcha dos Pinguins”.

É só para mostrar que o quarteto formado por Capitão, Kowalski, Rico e Recruta nada tem a ver com os pinguins tradicionais. Eles são questionadores, indagando a razão de terem que fazer fila indiana para andar, por exemplo.

Mais do que isso: adoram se arriscar em aventuras perigosas pelos quatro cantos do mundo, invadindo o Forte Knox, a Casa da Moeda dos Estados Unidos, para encontrar uma das últimas máquinas de uma marca de chips.

É lá que se deparam pela primeira vez com um polvo que pretende sequestrar todos os pinguins do mundo e acabar com a “fofurice” deles. A explicação está no fato de o quarteto ter roubado os seus holofotes quando chegou ao zoo.

A narrativa ganha em diversão quando os pinguins conhecem uma equipe secreta chamada Vento Norte, criando disputas de vaidade entre os dois grupos. Uma com equipamentos mais sofisticados e outra abusando da malícia.

Na ausência do afetado lêmure Julien, que faz uma aparição no final, o filme apresenta um urso grandalhão e sensível. Curiosamente, não teve boa bilheteria nos Estados Unidos, o que pode dificultar uma continuação.