O musical "Os Miseráveis", que adapta a peça e o livro de Victor Hugo, entra nesta sexta-feira (1°) em cartaz na cidade, dirigido por Tom Hooper. O filme foi o vencedor do Globo de Ouro de melhor comédia ou musical, divisão que não existe no Oscar. Em todo caso, entra com oito indicações.

O filme é um musical puro: todos os diálogos são cantados, com uma ou outra exceção. Quem for ver, portanto, deverá ir com o espírito de quem vai a uma ópera. Isto implica, entre outras coisas, abandonar a cobrança do realismo.

O jeito é abandonar-se à música, ao visual, que tem sequências magníficas, e à emoção de uma tocante história. Qual? A de Jean Valjean (Hugh Jackman), preso por roubar um pão e conduzido às galés. Ao sair, Valjean é homem embrutecido, mas sua alma, digamos assim, será libertada por um sacerdote de bom coração.

Valjean decide mudar de vida e de nome. Mas um policial, Javert (Russell Crowe), não lhe dá sossego. A ação se dá na França oitocentista, tendo como pano de fundo a derrota de Napoleão em Waterlo1o e a revolta popular de 1832.

Há, ainda, o martírio de Fantine (Anne Hathaway), o destino incerto de Cosette (Amanda Seyfried) – tudo é tão gritante que parece pedir o registro operístico. Não espanta, talvez, que “Os Miseráveis” tenha encontrado no musical a sua forma contemporânea mais adequada, através da qual consegue se comunicar com um público frio ante seus temas principais.