Rodrigo Santos gravou todas as músicas do álbum “Simples” em apenas dois dias, dentro de um quarto, valendo-se de um programa de computador, um microfone e o violão. Poderia ter feito tudo num único dia se não fosse a chegada barulhenta da “galera de casa” após gravar a sexta música.

“O lugar não tinha revestimento e tive que colocar toalha embaixo da porta, além de fechar as janelas. Como o pedestal do microfone não abaixava, sentei sobre a mesa, com pé sobre a cadeira e outro pendurando, e esticava o braço para trás para dar o REC”, registra o ex-baixista do Barão Vermelho.

Este formato mais caseiro tem a ver com a proposta do álbum, já disponível nas plataformas digitais, a partir do desejo do artista de voltar às origens. “Eu queria um disco em que as canções saltassem, em que eu tocasse violão de nylon, que nunca tinha usado em nenhum disco meu”, explica. 

“Simples” reúne regravações de músicas de seu repertório, mas com uma pegada mais acústica. “Queria fazer igual àqueles discos do Caetano Veloso na década de 70, em que só tinha ele e o violão. Achei que seria mais prático e honesto fazer sozinho, sem nenhuma interferência”.

É um trabalho bem instintivo, com o desafio extra de nunca repetir a gravação. “Fiz tudo sem voltar. É como se eu estivesse tocando ao vivo”, relata o músico, que acompanhou nomes como Leo Jaime, Lobão, Blitz e Kid Abelha, entre outros. Na banda Barão Vermelho, ele permaneceu por 25 anos.

Mudar o ritmo das músicas também significou um desafio extra, levando Santos a reaprender a tocá-las. “Sem Você”, por exemplo, saiu das referências roqueiras do U2 para um estilo mais calmo ao estilo Jack Johnson. “Já não me lembrava como tinha feito (a música) e precisei tirá-la de novo para poder tocar de outro jeito”.

A proximidade com o violão é justificada pelas lives realizadas durante a pandemia e também pelas aulas musicais que o artista de 57 anos passou a dar, alternativa encontrada para a falta de shows. “Cheguei a ter 14 alunos. Durante as aulas, tocava violão sem palheta, só com o dedo”, assinala.

Com a liberação dos shows, Santos já fez quase 60 apresentações desde setembro. O momento de abertura também será usado para pôr na estrada o repertório de vários discos lançados nos últimos dois anos. Um deles é “Cazuza em Bossa Nova”, feito com Roberto Menescal e Leila Pinheiro.

Ele também lançou os volumes 2 e 3 de “A Festa Rock”, em que passa a limpo a história do rock nacional que ajudou a contar. O artista tem ainda 350 páginas já prontas de uma biografia, além de preparar um curso online de violão, caracterizado por “um jeito descompromissado, alegre e lúdico”.

A agenda já está lotada até outubro, quando subirá ao palco do Rock in Rio. “Sou meio workaholic. Antes de dar essa entrevista, tinha nadado 1.500 metros na piscina do Flamengo. Tempo a gente sempre arranja quando quer, principalmente quando paramos de nos drogar”.