A gênese de “Primavera”, novo espetáculo do grupo de dança mineiro Corpo, que estreia em BH nesta quarta-feira, no Grande Teatro do Palácio das Artes, está na tentativa de vislumbrar um “Brasil mais gostoso”, nas palavras do coreógrafo Rodrigo Pederneiras.

“Desde o início, a nossa ideia era fazer algo para cima, que pudesse dar uma alegria às pessoas”, registra. Ele estava, como a maioria dos produtores culturais durante a pandemia, sem ver uma luz no fim do túnel. Até que vieram à cabeça duas palavras: Palavra Cantada.

É o nome de um dos mais autorais duos de música infantil do país, cujas composições embalam o espetáculo. “Eles fazem um trabalho muito sólido, cujas bases não têm nada de infantil. O que fizemos foi tirar tudo o que se refere à infância, deixando apenas a melodia”.

Pederneiras lembra que, na época, o grupo não tinha recursos financeiros para contratar um compositor que criasse uma trilha sonora inédita para o Corpo. O resultado, diz ele, é uma obra muito diferente dos trabalhos anteriores da companhia quase cinquentenária.

Não só pela maneira como o grupo se apropriou da música, mas também nas coreografias. “E o oposto daquelas coisas maiores, daquelas grandes cenas que costumamos fazer. Estas são mais curtinhas. A gente criou uma dinâmica de coreografia que acabou dando muito certo”.

Diretor artístico e cenógrafo do grupo, Paulo Pederneiras destaca que as coreografias foram originalmente criadas para as mídias sociais. O trabalho com um e dois bailarinos foi se desenvolvendo a ponto de eu ver a possibilidade de levar para o teatro”, explica.

O coreógrafo assinala que a construção do balé foi idealizada “na maneira como nos era permitido”, devido à crise sanitária. “Éramos um grupo que não podia se agrupar. Como os bailarinos não podiam se tocar, fizemos então com pouca gente, com casais na vida real”.

A cenografia de Paulo Pederneiras acompanha essa simplicidade. Ele conta que aproveitou a onda de transmissões on-line para, pela primeira vez, adicionar câmeras e projetores no palco. Diferentes enquadramentos do balé são exibidos num tule preto ao fundo.

“Assim, cada dia do espetáculo nunca é igual ao outro. Esse recurso oferece um aspecto plasticamente importante. Sem a necessidade de transmitir ao vivo e mostrar o corpo inteiro do bailarino, partimos para um visual mais abstrato, trabalhando as cores e movimentos”.

“Primavera” – De quarta a sábado, às 20h30, e domingo, às 19h. No Grande Teatro do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537). Ingressos: Plateia I e II – R$ 150. Plateia superior – R$ 120. Na bilheteria do teatro e no site Eventim.

Espetáculo poderá contar com lotação máxima em BH

Devido às limitações de público, Rodrigo Pederneiras já esperava um “risco financeiro” nas apresentações do grupo em São Paulo, quando abriram a temporada de “Primavera”, de 27 a 31 de outubro. 

A sorte foi que o governo paulista liberou a lotação máxima pouco antes da estreia. Uma situação que se repete em Belo Horizonte, com o público podendo ocupar todas as poltronas do Palácio das Artes.

“Em São Paulo, os espectadores lotaram e foi emocionante”, registra Rodrigo. A limitação elevaria os custos da produção, devido à hospedagem e transporte de, pelo menos, 30 integrantes.

Após BH, o Corpo se apresenta no Rio de Janeiro e Campo Grande. Haverá ainda, em dezembro, apresentações com preços populares no Cine Theatro Brasil. Para 2022, a companhia deverá excursionar pelo exterior. Estados Unidos e Alemanha já estão praticamente certos.

A boa notícia é que o Corpo angariou mais dois patrocinadores duradouros, garantindo um planejamento maior. “Para nós, que fazemos temporada no exterior, é fundamental saber qual o orçamento dos próximos anos”, sublinha Paulo.

Gira
O grupo também apresentará “Gira” (2017), que, por conta da pandemia, teve uma cena alterada, no momento em que bailarinos dançam e sentam em cadeiras diversas, compartilhando tules. “Foi difícil, demandou tempo para ensaiar as entradas e saídas”.