A ideia de percorrer a história musical do cinema brasileiro entre as décadas de 1970 e 1990 tem a ver com o momento atual. Coordenadora da Mostra Curta Circuito, um dos festivais mais longevos de Minas Gerais, Daniela Fernandes queria uma temática que fosse na contramão dos noticiários sobre pandemia e aumento de preços.

“A gente queria que essa edição fosse mais leve, uma espécie de válvula de escape para um ano tão difícil. E a música proporciona isso para nós”, registra Daniela. A programação, totalmente online e gratuita, terá início nesta segunda-feira (11), com uma seleção de sete títulos que têm na música brasileira o seu carro-chefe.

Entre os filmes que, apesar de bastante comentados na época do lançamento, ficaram meio esquecidos com o passar do tempo, estão “Um Trem para Estrelas” (1987), sobre os apuros vividos por um saxofonista vivido por Guilherme Fontes, e “Stelinha” (1991), sobre uma diva do rádio que se envolve com um rapaz mais novo.

Embrafilme

Daniela assinala um triste fato histórico que envolveu a estreia de “Stelinha”, sendo o último filme a ser lançado pela estatal Embrafilme, responsável por grandes sucessos nas duas décadas anteriores. “Ele marcou a decadência da Embrafilme e um período negro para o nosso cinema, que demorou a se reestruturar”.

A produção nacional só começaria a viver anos mais auspiciosos com a criação da Agência Nacional de Cinema (Ancine). “Coincidentemente, estamos passando pelos mesmos problemas de 1991, com a asfixia da Ancine”, lamenta a coordenadora. Dificuldades que também afetaram a busca de filmes para a seleção da Mostra.

De acordo com Daniela, títulos mais antigos, como os da época da chanchada, entre outros, só têm cópias na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, que, antes de sofrer um grave incêndio em julho, vivia um estado de abandono. A principal fonte passou a ser o Canal Brasil, definido por ela como o principal banco de acesso atualmente.

Plataforma

Diferentemente da edição 2020, os filmes poderão ser assistidos a partir do próprio site da Mostra – cada dia será dedicado a um longa, permanecendo 24 horas no ar. “Resolvemos fazer na nossa própria plataforma porque é uma comodidade para o espectador, que não precisa ficar fazendo cadastros”, explica Daniela.

Outra mudança envolve os debates sobre os filmes. Dessa vez, devido ao tema, a organização convidou nomes ligados à música no lugar dos realizadores. Boa parte dos convidados é integrante da Musimagem, associação brasileira de compositores de música para audiovisual. “O interessante é que isso possibilitou outras perspectivas”, ressalta.

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