A programação da "Cuir - Filme e Experimento - América Latina" terá continuidade, nesta terça (15), com uma série de conversas entre pesquisadoras, pesquisadores, artistas e o público, com transmissão ao vivo pelo canal oficial da CUIR no YouTube. No encontro de hoje, às 19h, a videoartista chilena Ximena Cuevas participará da conversa temática ‘identidade, sexualidade e política’.

Ximena vai comentar a curadoria antes programada no Videobrasil 2001 por Priamo Lozada, e reintroduzida na mostra. A videoartista falará também sobre seus métodos, filiações e processos, sua relação com imagem, tecnologia, corpo, subjetividade e nacionalidade, além da atualidade dos filmes apresentados. A mediação ficará a cargo de Gabriela Albuquerque e Marcela Santos, curadoras da Chispa, projeto de correspondências curadoratoriais entre Belo Horizonte e Buenos Aires.

Na quarta (16), às 15h, JorgeTheObscene (Chile), Edgardo Castro (Argentina) e MariaBasura (Chile) são aguardados para debaterem o tema Usos políticos do pornô, a crítica, o elo e a fábula, com a mediação do pesquisador de cinema Matheus Araújo. Em pauta dois universos contemporâneos em tomada política da pornografia, ou da pós-pornografia: de um lado, o campo de criação desviado pelo ativismo, pela crítica histórica e pela investida anticolonia; do outro, é meio para fabular e buscar amizade e vínculo.

A programação da série de conversas segue com encontros diários até o dia 20 de junho, último dia da "Cuir". O conjunto de oito debates tem como pontos de discussão questões como interesses cênicos, plásticos, poéticos, discursivos e políticos, a partir de visões e processos criativos de realizadoras e realizadores latino-americanos. As conversas tratam de processos artísticos conduzidos em conjunto e em parceria, de suas visões próprias em torno de dissidência, experiência e crítica, e da abordagem criativa de imagens, cinefilia e cinema.

A mostra tem a proposta de reunir produções feitas com baixo orçamento e pouco vistas e, assim, fomentar a troca entre artistas e seus respectivos trabalhos, despertando ideias e novas experiências. Até domingo, a "Cuir" exibe uma seleção de 42 obras criativas dos diferentes circuitos do cinema independente e das artes visuais que retratam experiências de sexualidade e de gênero. Os títulos são assinados por mais de 30 artistas nascidos no Brasil e em outros seis países da América Latina (Chile, México, Colômbia, Argentina, Cuba e Uruguai) e estão organizados em dez programas, sendo exibidos nas versões em português e espanhol.

Cuir

A 'Cuir" exibe produções artísticas em formatos diversos, entre a ficção, o ensaio, a performance, a videoarte e o videoclipe, em sua maioria de curta duração. O curador Luís Fernando Moura explica que emblema do “cuir” surge como “uma resposta das políticas, da pesquisa e das artes do sul global a maneiras de descrever dissidências sexuais e de gênero – ‘queer’ –, pondo em relação movimentos de resiliência, de afirmação e de invenção”. Em suas palavras, “a mostra nota como essa reação, expandindo limites da imaginação coletiva, explora aqueles do que se entende por filme, sendo incontornável aos rumos contemporâneos das artes e das histórias das poéticas, das culturas ou do ‘cinema’. Ao fim, o que se cria em imagem extravasa o projeto da sua própria descrição”, completa.

A proposta da CUIR consiste em apresentar um recorte de filmes produzidos no âmbito dessas redes de criação e promover diálogos em torno delas, valorizando traços de invenção e proposição artística e política. A mostra aposta na introdução de filmes originais e particulares, muitas vezes com circulação reduzida a circuitos locais, e em diálogos desdobrados a partir destes trabalhos, por meio de cartas brancas de curadoria e através de conversas com as realizadoras e realizadores.