A escritora Martha Medeiros é a convidada desta terça-feira (11) do “Letra em Cena”, programa literário do Minas Tênis Clube coordenado por José Eduardo Gonçalves, com transmissão a partir das 20h nas redes sociais. Ela comentará a obra de Caio Fernando Abreu, falecido em 1996, que virou uma coqueluche na internet a partir de seus poemas.

Desta forma, o programa dá prosseguimento ao formato adotado nos dois primeiros encontros realizados neste ano, com um palestrante debatendo o trabalho de um autor já falecido. O primeiro foi com o moçambicano Mia Couto, que teve José Saramago como tema de sua conversa. No segundo, o diretor Cacá Diegues analisou os livros de João Ubaldo Ribeiro.

“Esse é o objetivo do projeto: queremos que os espectadores saiam da conversa com a vontade de abrir um livro. Eles precisam ver o livro como fonte de inspiração e conhecimento. Mesmo quando fala de mundos distantes, a literatura tem muito a ver com a nossa vida. Os autores têm a capacidade de inventar histórias e fazer com que identifiquemos com elas”, afirma Gonçalves.

Apesar de sentir a falta dos eventos presenciais, o coordenador comemora o fato de o “Letra em Cena” estar sendo visto em outros países. Nas plataformas digitais, ganhamos um público novo. Enquanto num teatro você coloca 50, 100 pessoas, com a internet você multiplica isso várias vezes. É gente do Brasil inteiro e de fora que passa a ter acesso e participar”, compara.

Já o mercado editorial não vive um momento fácil. “Tem muita gente comprando livros na internet, mas a literatura vive muito de lançamentos e feiras. São os grandes eventos que promovem a literatura para o público. Por conta disso, editoras tradicionais não estão fazendo muitos lançamentos”,analisa.

Para quem quiser acompanhar o “Letra em Cena” desta terça, basta acessar o canal oficial do Minas Tênis Clube no YouTube. O ator Odilon Esteves fará a leitura de trechos de textos de Caio Fernando Abreu. Gaúcha como o escritor homenageado, Martha comentará aspectos como o estilo dark e confessional, lembrando a exposição pública dele, em crônicas de jornal, sobreo fato de ser portador de HIV.

“É um desdobramento natural de quem nunca ocultou suasemoções mais íntimas e preferiu não romper o ciclo de sua obra confessional”, atesta Martha. “É preciso lembrar que a AIDS era algo muito novo na época e apavorante. A doença consumia fisicamente e esconder sua condição seriapatético e covarde. Havendo o mínimo de coragem (e Caio era um bravo), assumir a doença era o caminho digno a tomar”.

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