Todo cuidado é pouco para os cinquentões em tempos de pandemia. O que vale também para o Palácio das Artes, que chega, neste domingo, às 50 primaveras. Com portas fechadas para o público, um dos mais importantes espaços culturais do Brasil transferiu toda a programação de celebração para o universo digital.
“É um momento de muito respeito às famílias que estão sob tensão. Neste instante tão complicado, nós apegamos à ideia de celebração da memória, da arte, da cultura e de quem participou desta história”, registra Eliane Parreira, presidente da Fundação Clóvis Salgado, mantenedora do espaço.

Somente com a esperada imunização do público que o centro cultural localizado no coração de BH poderá fazer uma comemoração mais robusta, à altura de uma história que começa durante a gestão de Juscelino Kubitschek à frente da Prefeitura, nos anos de 1940, que encomendou o projeto ao arquiteto Oscar Niemeyer.
“Todos nós, mineiros, temos uma formação cultural que passa pelo Palácio das Artes, seja do ponto de vista da formação artística, seja como público. O Palácio formou gerações de frequentadores que puderam acessar uma programação muito diversa”, observa Eliane, que está em sua segunda passagem como gestora do espaço.

Para a presidente, que também foi secretária estadual de Cultura durante o governo de Antonio Anastasia, o Palácio das Artes é um organismo vivo. “Ele é único em sua concepção. Não há nada parecido com ele, desempenhando um forte vínculo com público, artistas, gestores e produtores”, analisa. Eliane destaca o pioneirismo do Palácio, que foi concebido para ser um centro cultural, englobando as várias linguagens artísticas, com a criação de um estúdio de dança e uma sala para orquestra. “Este conceito se relaciona com a sociedade, ao estar nesta linha de corte (da cidade) da avenida Afonso Pena, junto ao Parque Municipal. Só aí você já vê uma singularidade enorme”.

O espaço, segundo a gestora, se pôs de forma imponente no circuito de arte nacional e internacional. “Colocamos a cidade num circuito capaz de receber todos os tipos de produções. Quem já passou por aqui sempre tem palavras de carinho ao Palácio, elogiado por seu público qualificado, atento e acolhedor”, ressalta.

Palacio

Projeto arquitetônico foi concebido por Oscar Niemeyer

Celebração terá lives, podcasts e realização de minidocs

Para comemorar o seu cinquentenário, o centro cultural criou uma série de projetos e eventos inéditos intitulado “50 Anos em 5 Atos”, uma referência a JK (do lema “50 anos em cinco”, quando ele esteve na presidência da República) e também aos cinco eixos da programação.

Até dezembro deste ano, a programação será pontuada por lives, podcasts, mini-documentários, depoimentos de artistas, funcionários antigos e da ativa e uma exposição imersiva, que ocupará a Fachada, o Hall de entrada e a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard.

O público será convidado a participar com envio de vídeos, relatos de memórias e também sobre o que espera do Palácio das Artes para o futuro. “Qual é o papel da instituição nos próximos 50 anos? Como é este ente vivo, ele não é estático e precisa se renovar e reinventar”.

Eliane Parreiras passou por dois momentos difíceis desde quando assumiu a presidência da Fundação, em 2019, primeiramente tendo que lidar com um orçamento mais apertado e, depois, com a pandemia. “Minha chegada foi no sentido de fortalecê-la num momento difícil”.

Ela lembra que o Palácio demandava intervenções físicas complexas, especialmente no Grande Teatro, além da necessidade de gerar sustentabilidade. “Fizemos um planejamento estratégico e tivemos resultados extraordinários, conseguindo ampliar a receita e o público”, afirma.