Não dá para negar que as séries são um fenômeno cada vez mais consolidado. Em 2017, pudemos comprovar essa força recente do formato audiovisual, que dominaram as conversas, as redes sociais e até mesmo noticiários. Como esquecer o clamor dos fãs de “Sense 8” depois do cancelamento da série (que deu resultado, vale ressaltar, já que a produção ganha um episódio final que vai ao ar em 2018) ou a intensa discussão sobre bullying e suicídio motivada pela estreia e sucesso de “13 Reasons Why”?

Esta última, inclusive, é retrato de uma das tendências que marcaram as produções deste ano: as séries voltadas para o público infanto-juvenil. Quem observa isso é o jornalista, diretor de TV e colunista especializado Alexis Parrot. Ele ressalta, porém, uma mudança no conteúdo das produções. “Diferente dos anos anteriores, quando esse era um nicho muito angariado pela questão do sobrenatural e da fantasia, agora as questões da vida real, do cotidiano dos adolescentes ganham destaque”, observa. 

Não por acaso, “13 Reasons Why” (Netflix) protagonizada por adolescentes com temas que incluem o ambiente escolar, bullying e suicídio, foi uma das grandes febres do ano –inclusive, sendo a quarta série mais procurada no Google pelos brasileiros, segundo relatório divulgado pela empresa. 

A politização foi outra grande tendência, e o jornalista aposta que deve ser ainda mais forte em 2018. “O protagonismo feminino entra dentro dessa questão”, acredita Parrot. “É uma decisão política, mas também de mercado. Ela reverbera o que já está acontecendo no mundo”, continua o jornalista, que cita as séries “The Handmaid’s Tale” (que fala de um mundo distópico, onde mulheres são propriedade do Estado, totalitário e teocrático) e a recém lançada “Godless”, uma produção de faroeste protagonizada por mulheres, como exemplos dessa tendência. 

Super-heróis

O domínio dos super poderes no cinema, também se estende para o mundo das séries, em produções como “Os Defensores” e “Punho de Ferro”, ambas lançadas em 2017. “É uma tendência que continua enquanto os filmes estiveram fazendo o sucesso que estão fazendo”, afirma Parrot. “Trazem coisas que são muito fortes no nosso imaginário. Há 11 anos, quem ocupava esse lugar eram os vampiros, como o sucesso de ‘Vampire Diares’ ou se voltarmos um pouco mais no tempo, ‘Buffy, A Caça Vampiros’. Hoje são os super-heróis que preenchem esse lugar, com sucesso”, pontua. 

Consagrados

Mas há também os gêneros que já são tendências consagradas no mundo das séries. Outro sucesso da Netflix, “Mindhunter” – que acompanha dois policias do FBI que iniciam os estudos sobre o perfil de serial killers nos anos 70 – é exemplar. “A questão policial é uma das favoritas da TV de todos os tempos”, ressalta Parrot, que aponta o teor psicológico da série também como um dos atrativos para o sucesso. 

Outra moda que permanece – e que deu as caras entre as séries queridinhas de 2017 – é a nostalgia. Ela trouxe os anos 80 em “Stranger Things” e em “Glow” (esta também coloca em evidência o protagonismo feminino, ao contar a história da produção de um programa de luta livre de mulheres ) e mais recentemente na alemã “Dark”, nova febre da Netflix. “Volta e meia, surgem séries que vão abarcar alguma coisa do passado. Porque é mais fácil apostar em uma coisa que você já conhece”, observa o jornalista.