Genialidade é um adjetivo que cai bem a Roberto Menescal. Talvez, porém, generosidade seja o que melhor defina o compositor, arranjador e produtor musical capixaba, que encontrou, ainda moço, seu recanto pessoal e artístico no Rio de Janeiro. 

Um dos pais da Bossa Nova, foi na Cidade Maravilhosa que começou a participar das reuniões no apartamento de Nara Leão, na Avenida Atlântida, onde o movimento começou. A partir dali vieram não apenas “O Barquinho”, uma das músicas-ícone da turma de Copacabana, composta junto a Ronaldo Bôscoli, como também uma série de parcerias memoráveis da música brasileira, com nomes como Tom Jobim, Carlos Lyra, Vinicius de Moraes, Luiz Eça, Eumir Deodato, Wilson das Neves, Antônio Adolfo, João Donato, João Gilberto e Elis Regina. 

“Eu gosto de fazer coisas com os outros. Pessoas como Tom Jobim foram muito generosas comigo, então preciso devolver isso”, defende Menescal, que completou 80 anos de vida em 2017, quando a Bossa Nova registra seis décadas de história. Ativo como um garoto, em meio ao lançamento de três discos novos decidiu celebrar do jeito que gosta: no palco, com tocando com os amigos. 

Essa é a ideia do projeto “Dia de Luz, Festa de Sol – Roberto Menescal e a Bossa Nova”, série de quatro shows, cada um com diferentes convidados, que acontece entre esta quarta-feira (20) e sábado (23), no CCBB-BH. Abrindo a festa, Menescal recebe Danilo Caymmi e Wanda Sá, parceiros de décadas. Amanhã, o foco é no instrumental, com Léo Gandelman, Lula Galvão e Cris Delanno; enquanto, no sábado, se encontra com Toquinho e Sabrina Parlatore. Para fechar, divide palco com Marcos Valle e Fernanda Takai. 

“Marcos é um amigo antigo. Foi meu aluno de violão e seguimos juntos desde então. Já a Fernanda conheci de uns oito anos para cá e também tornou-se uma grande amiga. Aparentemente, não tínhamos tanta afinidade musical, mas, com a amizade, começamos a desenvolver trabalhos juntos”, afirma, lembrando o projeto “O Tom de Takai”, em que a cantora mineira interpreta canções de Jobim. 

Menescal conta que, apesar do aniversário, a ideia das apresentações é jogar luz sobre os convidados. “Não é um show meu, mas um momento em que levo pessoas que gosto apresentar seus repertórios de um jeito diferente. Uma variação na obra deles. Eu posso até sugerir, mas quem escolhe as músicas são eles”, afirma. “Mas, claro, cada show tem umas três, quatro músicas minhas. E sempre fecho com alguma de Tom Jobim, porque foi meu grande mestre e um dos artistas mais importantes do Brasil e do mundo”.

Para o músico, o legado da Bossa Nova reverbera. “É um movimento que seguiu um trajeto paralelo, que nunca teve apelo popular e que continua, por aí com shows cheios e novos registros”, diz, ressaltando que a música e as “antenas” atentas são culpadas por sua tamanha vivacidade. “Escolhi um rumo, quando jovem, e segui nele. É difícil acompanhar as mudanças e não perder o caminho. Me sinto feliz por ter conseguido”. 

Serviço: “Dia de Luz, Festa de Sol – Roberto Menescal e a Bossa Nova”. De quarta-feira (20) a sábado (23), sempre às 20h, no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450, Funcionários). Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).