Um caldeirão que mistura poesia marginal e traz elementos da cena de rock belo-horizontina. Assim o poeta e vocalista César Gilcevi define a Cadelas Magnéticas, banda que lança hoje, na A Obra, o EP “Encruzilhada”, primeiro trabalho do grupo.

Gilcevi conta que a banda é fruto de um projeto que surgiu em 2016, quando ele se reuniu com integrantes do Herói do Mal, Carmem Fem, Pelos (que também sobre ao palco hoje), Carolina Diz (sua ex-banda) e Desejo Terrível para musicar poesias do livro “Os Ratos Roeram O Azul” (Ed. Letramento).

A empreitada deu origem a um CD com 14 dos 42 poemas do livro acompanhados de música. “Mesmo depois do lançamento do disco, continuamos tocando juntos, gostamos do resultado e formamos o Cadelas Magnéticas, que além desta primeira proposta poética, acabou virando um trabalho de canção mesmo e o resultado é esse EP”, afirma o vocalista.

Encruzilhada

Gilcevi conta que o título do álbum carrega um vínculo com o próprio contexto brasileiro. “Ele tem relação com essa encruzilhada social e política que o país está vivendo, o retorno de fundamentalismos, além da ligação com a cultura ancestral brasileira”, explica.

Com três canções, os textos inéditos “Canto Para Oxóssi e Oxum” e “I’m Not Gonna Crack”, e o poema “Sangue Ruim”, o disco carrega também as influências pessoais de Gilcevi. “O EP tem muito do meu envolvimento com as religiões afro-indígenas brasileiras e tem essa carga do rock, que nunca morre”, diz o vocalista.

Gravado ao vivo, “Encruzilhada” também reforça o improviso, processo que deu origem às canções. “Todas as músicas surgiram sem muito planejamento. Quisemos manter isso na gravação para não perder a carga vital que a banda tem, essa coisa de tocar ao vivo e se entender bem no palco”, diz.

Serviço: Cadelas Magnéticas lança “Encruzilhada”, hoje, na A Obra Bar Dançante (rua Rio Grande do Norte, 1.168–Savassi), às 20h. Ingresso: R$15