Com a nova investida do cinema brasileiro nas produções infantojuvenis, franquias famosas como “Menino Maluquinho”, do desenhista mineiro Ziraldo, e “Turma da Mônica”, o gibi mais comprado no país, criação de Mauricio de Sousa, voltam as suas atenções novamente para o audiovisual.

Ainda houve o empurrão extra das animações brasileiras, com a indicação de “O Menino e o Mundo” ao Oscar da categoria, nesse ano, como destaca Ana Paula Catarino, CEO da produtora Oca Animation, de São Paulo. “Esse destaque e exposição no Oscar colocou a animação nacional no mapa”, salienta a executiva.

“Somos conhecidos por nossa criatividade, boas ideias e excelência da animação nacional, mas o nosso mercado é bem pequeno se comparado a Estados Unidos, Canadá, França e Japão, por exemplo. Mas cada vez mais conquistamos nosso mercado”, registra Ana Paula, que apresentará três produtos com a marca de Ziraldo.

Sinergia

O “Menino Maluquinho” será adaptado para longa-metragem de animação em 2D, que “é uma técnica tradicional e direcionada a um público geral, familiar”. O “Bichinho da Maçã” se transformará numa série pré-escolar em 2D. Já “Bebê Maluquinho” será adaptado para 3D, focado no público baby toddler

Dirigido pelo animador e ilustrador Guilherme Alvernaz, o estúdio atua há mais de 20 anos no mercado publicitário. O sócio herdou o interesse pela animação do pai, Ruy Perotti, o animador que criou o famoso personagem Sujismundo, sucesso da publicidade brasileira na década de 1970.“O Ziraldo era amigo de Ruy. Eles tinham perdido o contato, mas um amigo do Ziraldo nos aproximou porque achou que éramos um estúdio sério e capaz de ajudar a adaptar as obras do Ziraldo para o universo da animação. Tivemos muita sinergia e empatia, e logo fechamos as três obras”, salienta.

Lançado em 1980, o primeiro livro do Menino Maluquinho é ainda um dos grandes sucessos de Ziraldo, com a venda de mais de três milhões de exemplares. O menino com panela na cabeça e jeito irrequieto se aventurou pela primeira vez no cinema em 1995, sob direção de Helvécio Ratton.

Depois foi lançada uma segunda parte, com direção de Fabrizia Pinto, filha de Ziraldo, e Fernando Meirelles, que mais tarde assinaria “Cidade de Deus”. Já “O Bichinho da Maçã” foi editado pela primeira vez em 1982 e tem como protagonista justamente um “bicho de pé”, desses que ficam na fruta, que adora contar histórias.

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Alvernaz, Ziraldoe Ana Paula: “Somos o estúdio mais feliz e sortudo deste Brasil”, diz a CEO da Oca Animation

Confiança

“O Bebê Maluquinho” é a versão baby de “O Menino Maluquinho” e, nos livros, tem formato educativo. A série deverá ser a primeira a chegar à televisão. De acordo com a CEO da Oca Animation, todas as produções já contam com emissoras interessadas. “Mas nada ainda concreto”, garante Ana Paula.

Ela espera ter Ziraldo bem próximo aos projetos. “Ele não supervisiona, primeiro porque confia no nosso processo e talento e, segundo, porque é um artista extremamente ativo, sempre tem compromissos e ama o contato com o público. Então vamos tirar o que ele conseguir nos dar. Cada dia que passamos juntos é repleto de risadas e histórias incríveis”.