"Esquadrão Suicida” é o filme criado para ser cool em relação à galeria de super-heróis da editora DC Comics. De certa maneira, tem o mesmo papel de “Deadpool” para a Marvel, liberando-se de algumas amarras desse universo, como a ideia de que os mocinhos devem ser exemplos de honestidade, bom coração e justiça.

Ver os heróis em pequenas passagens (flashbacks, principalmente) e os principais bandidos de Gotham como protagonistas é curioso e, de certa forma, libertário. No cinema, essa “afronta” aos cânones pode até ser novidade, mas os quadrinhos já a experimentam há décadas – “Legends”, inspiração desse filme, foi lançado em 1986.

Atenção para a sequência incluída durante os créditos finais, que abre a possibilidade para uma continuação

A trilha sonora busca reforçar essa sensação, com grandes bandas do rock progressivo ou do metal, como Black Sabbath, AC/DC, Animals e Creedence Clearwater Revival. Há muitas piadinhas (não tantas ou de baixo nível quanto as ouvidas em “Deadpool”) e ponto: a ousadia de “Esquadrão Suicida” vai até aí.

Na verdade, a turma do submundo é politicamente correta e, apesar da cara feia, tem sim muitos sentimentos nobres. Pensado certamente para estimular a identificação com a plateia, esse acaba sendo um dos grandes problemas do filme de David Ayer, já que o roteiro é calcado em personagens com problemas afetivos de toda ordem.

SOFRENDO DO CORAÇÃO
Pistoleiro simplesmente quer poder ter o convívio com a sua filha novamente. Arlequina é uma garota extremamente apaixonada pelo Coringa, capaz de qualquer coisa por ele. El Diablo matou a esposa e filhos com um poder que não controlava – ele incendia o que está à sua volta em momentos de raiva – e vive sob a culpa.

Katana é guerreira japonesa que carrega a alma de seu amado na espada e um dos conflitos da trama é que o “inimigo” do Esquadrão é uma bruxa, que usa o corpo da namorada do Capitão Flag. Junto a isso, é um filme que fala de amizade, exemplificada na cena em que entram num bar e põem seus problemas para fora.

 

“Esquadrão Suicida” comete os mesmos erros de algumas superproduções recentes. Como em “X-Men: Apocalipse”, o grande vilão é um ser ancestral, evocado para dominar o planeta, sem nenhum interesse além disso. E em comum com “Jason Bourne” há um outro tipo de antagonista, uma mulher inteligente que recorre aos sentimentos para manipular.

Há ainda a ideia de terrorismo como justificativa para se criar programas secretos, com o “Argus” surgindo como primo do “Iron Man” de “Jason Bourne” ou do “Arma X” de Wolverine. Temas muito batidos e que não conseguem segurar uma história, por mais interessantes e cool que os personagens possam ser.