A amizade e a parceria musical são antigas, mas somente agora o público pode conferir em casa o encontro deles. Gravado para o canal pago BIS, o show “Samuel Rosa & Lô Borges – Ao Vivo no Cine Theatro Brasil” (Sony Music) virou DVD e CD, com os amigos dividindo o palco e interpretando canções que fizeram em diferentes épocas. 

De Lô, estão clássicos do Clube da Esquina, como “Paisagem na Janela”, “O Trem Azul” e “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, enquanto de Samuel estão músicas do Skank, como “Resposta”, “Sutilmente” e “Balada do Amor Inabalável” (com participação de Fernanda Takai). 

Milton Nascimento não poderia faltar ao registro e participa de “Para Lennon e McCartney”. “Dois Rios”, parceria mais famosa de Lô e Samuel, também não poderia ficar de fora. 

Harmonia
De acordo com Lô Borges, o registro veio no momento certo, em que os amigos se vêem mais harmônicos em suas escolhas. O primeiro show dos dois juntos foi em 1999, mas naquele momento eles estavam tomando caminhos musicais diferentes. “O primeiro show que fizemos juntos foi legal, havia um prazer em tocar juntos. Mas tinha uma discrepância no repertório. O Skank, naquele momento, tinha um som com muito ska, muita batida eletrônica, e isso destoava um pouco”, lembra Lô.

De lá para cá, as criações de Samuel (e, consequentemente, do Skank) mudaram bastante. “As músicas dele passaram a ter mais harmonia. O fato de o som do Samuel mudar fez com que o nosso encontro ficasse mais interessante. Não há mais nada discrepante. É como se não houvesse Clube da Esquina ou Skank, mas formássemos uma banda”. 

Te ver
Antes de serem amigos, Lô e Samuel eram admiradores mútuos. “Eu acompanhava o início da carreira do Skank e achava interessante ver que uma banda de Minas estava alcançando êxito nacional”, lembra Lô, que acabou gravando a música “Te Ver” no álbum “Meu Filme”, de 1996.

A primeira vez que se viram foi num aniversário do saxofonista Chico Amaral. “Samuel veio me falar sobre como estava feliz em ver que eu havia gravado uma música dele. Ele disse: ‘você é meu ídolo. Antes da adolescência, eu já ouvia muito Clube da Esquina’”, conta Lô. Um amigo que estava próximo deu a dica: “por que vocês não fazem algo juntos?”.

Mais de 15 anos se passaram e os dois se tornaram parceiros em várias criações, algumas ainda inéditas. A intenção é continuar trabalhando juntos. “Mas nossos shows dependem da agenda de cada um”.