Integrantes de diversas bandas, apoiadores e fãs do rock autoral e da cena underground de BH têm muito o que comemorar. No ano passado, novos projetos, bandas, festivais e casas de show voltadas para o nicho surgiram e atraíram grande público. A meta, agora, é consolidar os ganhos e expandir os trabalhos ligados à essência do rock e à ideia do “faça você mesmo”.
 
O espaço para quem compõe as próprias canções cresceu com a abertura d’A Autêntica, na Savassi, e das casas já existentes, que intensificaram a participação de bandas, caso d’A Obra. “Sempre rolou uma cena autoral, mais underground. Mas realmente o ano passado foi importante. Vimos bandas novas aparecendo com muita qualidade técnica e fora do lugar comum”, comenta o músico e produtor d’A Obra, Luiz Ramos.
 
Profissionalização
 
Luiz assumiu a programação da casa há um ano, com a proposta de resgatar as origens do ‘inferninho’. “Estava acontecendo um processo de cancelamento de shows, por parte das bandas, em cima da hora. Isso enfraquece a cena. Agora temos bandas com bom grau de profissionalismo. Esse trabalho me permite descobrir mais bandas”, observa.
 
Luiz Ramos lamenta que tantos grandes empreendimentos na capital privilegiem o rock cover. “Esse circuito não deveria ser tão limitado assim. Tem muita coisa boa fora do rock comercial”, pontua.
 
“Seria muito bom se as pessoas desviassem um pouco o olhar. Se você andar mais dois quarteirões vai encontrar um cara que teve influência de grandes artistas tocando muito. E um som novo”, garante o produtor.
 
Festival e documentário
 
Em 2015, o rock autoral na cidade ganhou também a segunda edição do festival “Rock do Deserto”, n’A Autêntica, reunindo bandas locais e de outros estados.
 
O festival, idealizado pelos músicos Merlin Oliveira e Guto Teixeira, ganhou um documentário no YouTube. No vídeo, as bandas participantes falam sobre seus trabalhos e o momento que o rock autoral vivencia na cidade.
 
Para os rapazes da banda ISSO, por exemplo, as pessoas estão em prol de um interesse em comum e engajadas em fomentar a cena. “Dessa vez estou sentindo mais firmeza. Tem mais bandas de qualidade aparecendo. A gente espera que isso vire uma cultura na cidade. É o melhor momento que já vivi com a banda”, comenta o vocalista Pedro Fonseca.
 
Além d’A Autêntica e d’A Obra, outras casas recebem bandas de rock autoral como Matriz, Baixo Centro Cultural, Granfinos, Espaço Rock Bar, Studio Bar, Mercado das Borboletas e Stonehenge. Esta última também abrigou festivais de rock autoral.
 
A Autêntica
R. Alagoas, 1172 - Savassi
 
A Obra
R. Rio Grande do Norte, 1168
 
Matriz Casa Cultural
Rua dos Guajajaras, 1353 - Barro Preto
 
Baixo Centro
R. Aarão Réis, 554 - Centro
 
Stonehenge
Rua Tupis, 1448 - Barro Preto
 
Espaço Rock Bar
Rua Hoffman, 723, Barreiro