Jason Korolenko recebeu das mãos de um amigo, em 1992, uma fita VHS com um show do Sepultura em Barcelona. As cenas que viu tinham tanta energia que a paixão foi imediata.

“Assisti a tantas vezes essa fita que ela estragou”, conta o escritor americano, que acaba de lançar no Brasil o livro “Relentless – 30 Anos de Sepultura” (Benvirá), com a história da banda que teve início no bairro Santa Tereza e ganhou fama mundial com um heavy metal cheio de personalidade.

Em mais de 300 páginas, o escritor americano relata a história da banda desde o momento em que os irmãos Max e Igor Cavalera começaram a tocar. Além da trajetória da banda, aqui há uma contextualização histórica sobre a ditadura militar – para que o leitor americano pudesse compreender a abertura política em que a banda estava inserida.

Estudar sobre o Brasil não foi tarefa complicada, porque a noiva do escritor é brasileira e o relacionamento deles já tem 13 anos. “Acho que a coisa que mais me surpreendeu foi aprender sobre a ditadura militar e como o governo repreendia qualquer arte, filme ou música que considerasse subversivo”, lembra Korolenko.
 
Três anos
 

Para que a trama pudesse ser desenvolvida, ele entrevistou mais de 20 pessoas, entre integrantes e ex-membros da banda, familiares e pessoas próximas. Até mesmo Jason Newsted (ex-Metallica), por ser fã do Sepultura, foi entrevistado e faria a introdução da obra, se agenda – intensa – do músico tivesse permitido. Ao todo, foram três anos de trabalho para realizar a biografia.

“A palavra ‘compromisso’ não existe para o Sepultura, e eu adoro isso. Eles nunca cedem a pressões externas. Eles lutaram em dificuldades que teriam destruído bandas menores. Estão sempre evoluindo e amadurecendo como músicos, sempre tentam algo novo e diferente”, afirma Korolenko.
 
“Roots”
 
Desde o início, o livro destaca bem a saída de Max Cavalera, em 1996, quando parecia que a banda acabaria, logo após viver seu auge criativo e midiático com o álbum “Roots”. Mas a história provou que o Sepultura era maior do que os irmãos fundadores. “Mesmo sem os Cavaleras, o espírito Sepultura ainda está lá e forte. A banda ainda está escrevendo de forma incrível, emocionante e pesado”, diz o autor, que não pôde vir a Belo Horizonte durante a apuração da história (ficou quatro meses em São Paulo), mas já prometeu vir para visitar Jairo Guedz, o guitarrista que fez parte da primeira formação.

Para Korolenko, o mais difícil do processo foi saber separar o autor do fã. Lidar com a divisão entre banda e os irmãos Cavalera também foi um complicador.

“Por causa da própria natureza da história do Sepultura, a divisão com o Cavalera e toda a imprensa, na sequência de Max e Igor de partidas, muitas pessoas têm opiniões muito fortes sobre a situação. Eu mesmo tenho opiniões muito fortes, embora eu tentei ficar imparcial no livro porque não é sobre mim ou o que eu penso. É sobre o Sepultura”, arremata.