Alex Tea é russo e mora em New Jersey, uma das cidades que mais concentram imigrantes brasileiros nos Estados Unidos. O contato com a cultura tupiniquim seria inevitável: ele conheceu primeiramente a capoeira e depois a musicalidade do país sul-americano. Comprou discos de Chico Buarque e Jorge Ben, percebendo que deveria mergulhar mais nesse universo.

O amor pela música brasileira cresceu e sua criação baseada nessa cultura pôde ganhar vida quando foi apresentado ao cearense (mas radicado em São Paulo) Klaus Sena. Com ele, colocou em prática o projeto Orquestra Raiz, com mais de 30 convidados americanos e brasileiros, como Saulo Duarte, Daniel Groove, Diogo Soares (Los Porongas), Luê e outros.

O resultado desse encontro múltiplo é o belo disco “As Americas” (YB Music), que trafega por diferentes sonoridades brasileiras – como carimbó, samba e capoeira – de uma maneira bastante contemporânea.
Interferências

“Minha intenção era dar às canções do Alex a visibilidade que mereciam, e todo o trabalho seguiu nessa ideia”, afirma Klaus, que conheceu Alex há oito anos.

O americano conta que a parceria nasceu sem grandes pretensões. “Comecei a apresentar músicas que eu vinha compondo, inspiradas no universo da música brasileira e inicialmente a ideia era apenas mixá-las, mas acabamos decidindo reabrir as faixas e trabalhar juntos nos arranjos. Assim acabou surgindo a ideia de produzirmos e gravarmos juntos um álbum que representasse essas trocas que estavam acontecendo nesse processo de criação conjunta”, explica Alex.

Klaus recebia os músicos brasileiros em São Paulo, enquanto Alex tocava com os americanos em Jersey City. “Os artistas convidados também contribuíram muito na construção das músicas e das letras, e foram mais de 35 artistas envolvidos, com um resultado muito rico”, diz o músico cearense.