O único ingrediente que “A Salvação” pode somar a um tema tão explorado em filmes de faroeste, sobre homens pacíficos que, em nome da vingança, revelam-se perigosos pistoleiros, é enfatizar a figura do estrangeiro em solo ianque, desmistificando um pouco a “terra da oportunidades”.
 
Não há um americano sequer que “salve” nessa história envolvendo extorsão, corrupção, egoísmo e discriminação. Nem mesmo o pastor que trabalha como xerife e não pensa duas vezes em sacrificar uma de suas ovelhas para impedir que um bandido continue matando.
 
Vivido por Mads Mikkelsen, um dos atores dinamarqueses mais conhecidos na atualidade, após trabalhar em “Cassino Royale” e “Fúria de Titãs”, Jon é um estrangeiro que esperou por dez anos a vinda para a América de sua esposa e filho. No dia que isso acontece, eles são mortos pelo irmão do criminoso.
 
Pressionada, a comunidade entrega a única pessoa que teve coragem de enfrentar os pistoleiros. O resto já dá para imaginar, mas o que interessa é ver como eles agem movidos por desejos mesquinhos. Poderia ser uma espécie de “Dogville” mais movimentado, mergulhando na alma americana como Lars von Trier fez.
 
Kristian Levring, o diretor de “A Salvação”, também é dinamarquês e participou do celebrado movimento “Dogma 95”, com o filme “O Rei Está Vivo”. Outra semelhança é não ter nenhuma cena filmada no Velho Oeste, usando a África do Sul como cenário, além de recorrer a um elenco internacional.
 
Exageros
 
O americano Jeffrey Dean Morgan, o britânico Jonathan Pryce e os franceses Eva Green e Eric Cantona (ex-jogador de futebol) interpretam os personagens principais nesse filme que, apesar de suas boas intenções, exibe uma condução maneirista, recheada de efeitos visuais e planos em que a câmera sempre faz um zoom ou recuo mais brusco, sem muita funcionalidade.