Neste domingo (13), é aniversário de 80 anos desta senhora escritora da foto. Parabéns para ela, que diz se preparar para um “passeinho numa roça aqui perto”, para comemorar a data (nos arredores de Divinópolis, cidade onde nasceu e ainda vive com o clã). Habemus Adélia Prado!
 
Mas para quem chega, vamos apresentá-la. Entenda, jovem leitor: Adélia é uma dona de casa que, por acaso, ou por força do dom, escreve. A primeira função é a que predomina na rotina dela – cinco filhos, vários netos, bolos de milho para preparar, uma casa no centro-oeste mineiro para comandar. Como seria diferente?
 
Mas há a segunda função, muito cara aos de fora do tal clã. E é para este pessoal, que nesta data querida, a editora de Adélia, a Record, traz “Poesia Reunida”, com 544 páginas da obra poética dela.
 
Na publicação comemorativa está “Bagagem”, de 1976, o livro de estreia dela, aos 41 anos. Um ano antes, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o primeiro “divulgador” dos talentos literários da divinopolitana, escreveu: “Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: está à lei, não dos homens, mas de Deus”.

Ainda em “Poesia Reunida” estão “O Coração Disparado”, vencedor do Jabuti de 1978; “Terra de Santa Cruz” (1981); “O Pelicano”, de (1987); “A Faca no Peito” (1988); “Oráculos de Maio” (1999); “A Duração do Dia”, de 2010, após uma década silenciosa em versos; e o mais recente e “escuro”, como a própria poetisa o descreve: “Miserere” (2013).
 
Alguma mudançazinha nessa obra toda, Adélia? “Não mudei nada”. Nem em relação aos primeiros poemas? “Eu os releio e não tenho reparos a fazer, graças a Deus”, responde, segura, ao Hoje em Dia.
 
Trabalho concluído! E agora, pela frente, parece que vem mais poesia, mesmo que ainda em gênese. “Tenho apenas dois poemas inéditos. Estou muito longe ainda de um título para este possível livro. Depende bastante dos poemas que irão compor o volume”. Há tema predominante para a nova publicação? “Nunca penso em temática”.
 
A vida tem que seguir, se for com poesia, melhor. Mas, com sonhos... “É uma bênção”, afirma. “Desde criança meu sonho se constitui na esperança de termos todos uma vida que nos possibilite entrar no céu e sermos, juntos e misturados, felizes para sempre. Este sonho não me larga e não largo dele”. É mesmo?
 
“Muito jovem queria escrever, casar e virar santa. Falta virar santa. Pelejo diariamente”. Amém, dona Adélia!

Neste domingo (13), às 19h, o canal SescTV exibe o programa “Sempre um Papo”, com a aniversariante Adélia Prado