O grupo de rock californiano Eagles of Death Metal voltou nesta terça-feira (8) à sala de espetáculos Le Bataclan, quase um mês após um comando extremista invadir o local e matar cerca de 90 pessoas entre o público que foi assistir ao show. Os membros da banda, muito comovidos, pararam diante da entrada do local coberto por uma lona para observar as inúmeras mensagens em homenagem às vítimas deixadas por populares.

Os integrantes da banda permaneceram 15 minutos olhando as fotos das vítimas e lendo as mensagens, sob uma chuva fina. O cantor Jesse Hughes, com os olhos cheios d'água, depositou uma flor em homenagem às 90 pessoas mortas ali no dia 13 de novembro, e os membros do grupo se abraçaram. Eles foram embora sob os aplausos dos presentes.

No dia do show, a banda Eagles of Death Metal perdeu seu responsável comercial e três membros de sua gravadora. Para a maioria das pessoas que presenciaram a visita, este atributo constitui um símbolo e uma mostra de valentia. "É admirável de sua parte ter vindo. É verdade que isto não devolverá a vida àqueles que a perderam, mas é um grande gesto", disse David, um homem de 30 anos vindo da Normandia.

'Ne me quitte pas'
Na noite de segunda-feira (7), o grupo voltou a atuar na capital francesa, convidado pela banda irlandesa U2. "Vocês estão bem?", perguntou à plateia Hughes, impecavelmente vestido de branco, antes de começar a cantar a música "People Have The Power" (O povo tem o poder, em inglês). "Obrigado ao U2 por nos dar esta oportunidade", afirmou o cantor, que depois disse: "Te amamos, Paris!".

Durante o concerto, os nomes das vítimas dos atentados foram projetados em um telão com as cores azul, branco e vermelho, quando Bono cantou "Ne me quitte pas" (Não me deixe, em francês) de Jacques Brel. Após os ataques, a banda californiana decidiu cancelar sua turnê pela Europa, mas depois decidiu terminá-la no próximo ano em homenagem às vítimas.