Grande mestre do violão de seis cordas e uma das figuras mais respeitadas e queridas do choro de Belo Horizonte, Mozart Secundino de Oliveira morreu na noite deste domingo (22), aos 92 anos, vítima de uma parada cardíaca. O corpo de “Seu Mozart” foi sepultado no final da tarde desta segunda (22), no cemetério Bosque da Esperança.

Morador do bairro da Saudade, na região leste de BH, o instrumentista começou sua carreira em 1964. Integrou diversos grupos de choro de diferentes gerações na cidade. “Ele era o avô de todo mundo, de todos os músicos”, diz o violonista Lucas Telles. Membro-fundador do Clube do Choro de Belo Horizonte, Mozart formou seu próprio grupo de choro, o Quem Não Chora Não Mama, em 2009.

Sem vaidade, observa Lucas, Mozart tocava com todos, sem se importar com a idade ou mesmo o conhecimento. Sua simplicidade e generosidade eram características marcantes. “Uma vez o encontrei em um show, não o vi depois, mas no dia seguinte ele me ligou para pedir desculpas por não ter me dado atenção”, conta Lucas, que ressalta o carinho e a bondade de Mozart. “A música agradece muito, mas o mais importante é o exemplo de ser humano que ele deixa”.

O violonista Thiago Delegado também se lembra de Mozart com carinho. “Ele era um vovô querido, a pessoa mais alegre do mundo, mais generosa. Tinha um espírito jovial, gostava de zoar, falar bobagens com os amigos. Era impressionante vê-lo tocar, mas o que eu adorava mesmo era sentar para tomar cerveja e conversar com seu Mozart”, comenta o músico.


Documentário
Composição de Jacob Bandolim, “Simplicidade” era uma das canções favoritas de Mozart e, também, título do documentário que conta a história do chorão, um dos mais antigos e importantes de BH.

O projeto, que teve início em 2009, contou com financiamento coletivo e estreou no início de 2015, no dia em que Mozart completou 92 anos, em 21 de fevereiro. “Nós convivíamos com ele em rodas de choro e decidimos documentar sua história, pois ele foi uma figura da mais alta importância para a música em Belo Horizonte”, diz Daniela Meira, responsável pela direção, roteiro e produção executiva do filme.

Gravado durante quase três anos, o média-metragem apresenta entrevistas com Mozart e com músicos que ele acompanhou, familiares e outros personagens da cena do choro na capital, além de registros do músico em ação, em diferentes espaços de shows da cidade.

“Ele era uma pessoa simples e gentil. Um amigo de todo mundo”, afirma Daniela, que complementa. “Ele ensinou muito aos músicos da nova geração. E a maior lição que ele deixa é a simplicidade. Ele tratava todos os músicos da mesma forma, mesmo quem estava ainda aprendendo”.

*Colaborou Jéssica Couto/Especial para o Hoje em Dia