O título da mostra – “Por um Amor Maior” – instiga. “Parto da ideia de que o artista, como todo ser humano, é um ser marcado pela falta estrutural – fruto da perda irremediável de um estado fusional com seu primeiro grande amor, e da interminável busca para a pergunta: Quem sou eu?”, explica a artista plástica e psicanalista Cláudia Coutinho, que, desde o último dia 18, expõe, no Museu Inimá de Paula, 26 telas produzidas neste ano.

No constante e solitário “vir a ser”, prossegue ela, o artista seria um privilegiado, “podendo, ao menos por vezes, passar de um caçador de sentidos à magia de um encantador”. E prossegue: “De sua obra, na qual recria o mundo à sua maneira e faz, do vazio, matéria, surge uma nova linguagem, carregada de sonhos e lembranças, alegrias e tristezas, paixão e ódio, e também doçura e sensibilidade”. Fazendo falar esse “estrangeiro” que o habita, o artista viveria uma nova forma de amor. “E grita esse amor ao mundo, tornado-o enorme, universal”.

Para Cláudia, no mundo moderno – no qual, frisa, a massificação e a violência sufocam o desejo e a força criadora do homem (“distanciando-o cada vez mais de sua essência”) – a arte se evidencia como uma possibilidade da diferença, e como uma fonte de prazer inigualável. “O mundo necessita de reflexão e de expressões genuínas e não de mentes dominadas e robotizadas, que nunca encontram a paz”, conclui.

Expressionismo abstrato

A mostra reúne trabalhos em acrílica sobre tela e técnica mista, que seguem a vertente do expressionismo abstrato. “Esse conjunto faz parte de uma coleção que venho desenvolvendo há mais tempo, em que busco o trabalho pictórico como uma linguagem”.

Trataria-se de uma linguagem íntima, pessoal e profunda, “em que falo de coisas que nem mesma eu sei, mas que são puras expressões de meu inconsciente, mais ou menos vistoriadas pelo meu senso de estética e gosto pelas cores”.

“Por Um Amor Maior” – No Inimá de Paula (R. da Bahia, 1.201). Até 17 de janeiro de 2016. Entrada franca. Informações: 31 3213-4320.