Não há como conversar com Leosino e Leonildo sem dar risadas. Gêmeos idênticos, os mineiros (do Serro), de 57 anos, adotaram o mesmo apelido – “Leo” – e os mesmos ofícios. Como atores, já são mais de 10 anos na ativa, tendo, no currículo, cerca de 20 peças. E sim, também são escritores, com oito livros publicados cada um. Nos próximos dias 14 e 15 de novembro, a dupla estreia a peça infantil “Jojoca e Jejeca – Na Era da Sustentabilidade”, no Cine Theatro Brasil. Mas, neste caso, o bom humor é o pano de fundo para tratar de um tema sério: os problemas ambientais recorrentes na Terra.

Assim como os dois, vários artistas têm erguido essa bandeira. Em setembro, 193 Estados-membros da ONU se comprometeram com 17 objetivos globais para estimular o desenvolvimento sustentável até 2030. Para chamar a atenção para o projeto, celebridades como Jennifer Lawrence, Jennifer Lopez, Gilberto Gil, Rodrigo Santoro e Wagner Moura participaram do filme colaborativo “We The People”.

QUE 'GASES' SÃO ESTES?
 
Na nova peça de Leo & Leo – como são conhecidos –, dois palhaços e uma turminha de bichos simulam situações para mostrar a importância de preservar o meio ambiente. “Uma delas é a onça caipira (porque onça mora no mato, né?!) que vem toda moderna. Um dia, ao respirar, inala fumaça e, a partir daí, se junta aos outros bichos para salvar o planeta”, exemplifica Leosino.

“Falamos da questão da água, da convivência dos homens, do respeito aos animais, do efeito estufa... já que, quando se come muito, a barriga estufa, o que vai dar gases. E, aí, você escuta aquele ‘peeenn’: este é o planeta Terra reclamando. Efeito estufa é perigoso, sem contar os cheiros que dão... dos gases tóxicos risos)”, completa Leonildo.

 

Leo e Leo

Leo e Leo: Sempre preocupados com o meio ambiente, os gêmeos Leo & Leo já fizeram também as peças “Ecos da Terra” e Vivências de Minas”, entre outros projetos. Foto: Flávio Tavares/Hoje em Dia
 

LENINE É DESTAQUE NO MEIO
 
Cantor, compositor e (por que não?) ecologista. Lenine, 56 anos, sem dúvida, é referência no campo das artes quando o assunto é a promoção da sustentabilidade ambiental. “O interesse pela botânica sempre me fascinou, mas a relação do homem com o meio ambiente é realmente uma coisa que me incomoda”.

Verdadeiro embaixador da natureza, o músico esteve em dois eventos do gênero somente nos últimos dez dias. Um deles foi o lançamento de um clipe comemorativo aos 35 anos do Tamar, projeto que busca proteger as tartarugas marinhas. O outro foi o Sustentar 2015, realizado na Fundação Dom Cabral, em Nova Lima, quando apresentou os seus projetos socioambientais e o mais recente álbum, “Carbono”. “Isto (se envolver com as questões ambientais) faz parte de como entendo a minha profissão. A música me dá disposição e, se ela puder dar luz a questões tão fundamentais como estas, fico feliz”, afirma.
 
Questões ligadas à preservação do planeta norteiam artistas de norte a sul

O artista plástico Eduardo Srur, 41, é outro que envergou a sua arte para o lado ambiental. Surfista e “super conectado à natureza”, no caso dele, não havia como escapar. Chegar ao trabalho era algo inquietante demais: seu ateliê fica próximo ao já tomado pela poluição rio Pinheiros, em São Paulo. “Isto teve muita influência em querer tratar as questões da paisagem e as distorções e equívocos da gente”, diz.

Por meio das suas obras, Srur busca revelar os “erros” da cidade de São Paulo, onde nasceu. “Quero tirar o público da anestesia do cotidiano; fazer com que vejam as coisas de maneira diferente. Meu trabalho é ressignificar, trazer reflexão. E me interessa esta relação do homem com a natureza, mas não sou um ‘ecochato’. Não que me dedique a isto apenas, pois o artista é um profissional livre e eu escolhi focar no coletivo”, destaca.
 

 

Srur: intervenções buscam denunciar degradação no rio Pinheiros

EDUARDO SRUR: Buscando denunciar a degradação do rio Pinheiros, Eduardo Srur fez intervenções com manequins prestes a pular de um trampolim. Foto: Divulgação

 

ATO DE CIDADANIA
 
Desde criança, o desenhista e escritor de Quadrinhos carioca Fernando Rebouças se aventura a contar histórias ecológicas. Hoje, com 35 anos, seu trabalho pode ser visto no site oiarte.com.

Também publicitário e jornalista, Rebouças lembra que a ecologia passou a ser uma questão de cidadania também.

“Não vejo a sustentabilidade como uma luta apenas, mas como processo de conhecimento e entendimento”.
 

 

Fernando Rebouças

FERNANDO REBOUÇAS: O desenhista criou o tucano presente nas tiras ainda quando era criança. Foto: Reprodução

PINCEL VERDE
 
“Greenpincel”, ou pincel verde. O nome é sugestivo, afinal, a proposta é deixar o mundo mais “verde” mesmo. “O projeto busca, por meio dos painéis, levar as pessoas a verem o que está por trás de muitas coisas das quais participamos e não temos a plena conscientização dos problemas existentes ali”, explica o dono da ideia, o artista urbano paulista Eduardo Kobra, 39 anos.

No centro do trabalho, tintas arremessadas contra as agressões do homem à natureza. Neste caso, as telas são os muros – estrutura emblemática, já que este poderia muito bem ser símbolo da intervenção humana na Terra.
 
Animais ganham destaque nos trabalhos de Eduardo Kobra

 


 

Kobra: mural feito em São Paulo é um protesto contra a caça de baleias por navios japoneses

EDUARDO KOBRA :O mural feito no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, é um protesto contra a caça de baleias por navios japoneses. Foto: Divulgação

 

Em seu trabalho, Kobra dá atenção especial ao sofrimento imputado aos animais pelo homem. “As touradas, por exemplo, são, na minha opinião, uma coisa medieval, arcaica, que deveria acabar”. Mas que fique claro: Kobra não é contra as festas de rodeios em si e nem contra a evolução do homem no planeta. “Sou contra a utilização de animais em zoológicos ou qualquer forma que os coloquem como entretenimento”, explica.

O motivo? “É uma crueldade! Muitas vezes, os animais são retirados do seu local de origem. E, por mais que tentem, é impossível reproduzir exatamente o habitat natural deles, que se tornam prisioneiros ali”, brada.

Para Kobra, estas coisas acontecem porque falta informação sobre a preservação do meio ambiente e dos bichos, além de haver, ainda, pouco interesse por parte da população no sentido de querer realmente lutar contra este sistema.

“Quando realizo um trabalho de proteção às baleias, há quem me critique. Todos querem um animal de estimação, mas poucos querem realmente fazer algo a mais. Mas quando fazem uma atividade com golfinhos, por exemplo, contribuem para que aquilo continue. As pessoas não estão abertas a este tipo de questionamento”.

 

Assista ao vídeo de Lenine no qual interpreta a canção "Quede Água", do álbum "Carbono":

 

Atualizada às 17h33 do dia 19 de outubro