A 53HC, localizada na Galeria Praça 7, era para ser “somente” uma loja de discos. Entretanto, desde o show de inauguração, 16 anos atrás, Bart Ramos, 35, viu que seria bom diversificar a atuação. “A gravadora surgiu quase que paralelamente”, diz ele, que tem também uma produtora.

Naquela época, contudo, ele não poderia imaginar que a ideia seria a salvação da loja anos mais tarde. “O prêmio vai me permitir deixar a loja aberta por mais tempo, já que a chance de fechá-la era muito grande” confessa o empresário, referindo-se ao Prêmio Funarte de Programação Continuada para a Música Popular 2015, que anunciou os vencedores na última quarta-feira (14).

Com o projeto 53HC Music Fest, a empresa faturou o segundo lugar do citado concurso e arrebanhou R$ 200 mil. O reconhecimento não só brinda o trabalho da 53HC, como coloca Belo Horizonte em voga na cena nacional da música independente.

“A curadoria do prêmio deste ano foi maravilhosa e é uma vitória ficar em segundo lugar. Sabíamos que seria difícil, mas que tínhamos chance de ganhar, pois levamos um projeto bom. Colocamos BH na frente dos maiores festivais do país. Estamos muito orgulhosos. A gente estava precisando muito, porque estamos em tempos (financeiramente) difíceis”.

Desafio

Apesar do cenário, ele nunca perdeu o encanto por este universo. “É muito amor! E, se hoje tenho uma produtora, (faço) festivais e mostras e (ganho) prêmios importantes no Brasil, é porque tudo começou com a loja de discos. Por isto, estamos fazendo de tudo para mantê-la. Claro, não dá para adiar para sempre o inevitável, mas, enquanto pudermos, vamos incrementar ‘a coisa’ para deixar a loja aberta”, acrescenta.

“Incrementar” define bem o que Bart tem feito. Na tentativa de aquecer as vendas, ele abriu, há cerca de quatro meses, no local, uma barbearia. “Tem tudo a ver com o ambiente, cortar o cabelo no estilo roqueiro... A ideia é fazer com que a pessoa venha à loja e acabe levando, daqui, um CD, uma camiseta”, explica o empreendedor.

Público

Ao longo da estrada, Bart diz que “montou” mais de 20 artistas e que, antigamente, os festivais independentes que produzia reunia até mil pessoas, sem nem mesmo elas conhecerem as bandas convidadas.

“Hoje, isso é uma coisa impensada, não tem este público. E onde está o público? Na festinha do DJ, baixando discos – ou nem baixando, porque as pessoas não querem ocupar o armazenamento do celular, então ouvem música por streaming. Estas pessoas são as que pagam R$ 70 num ingresso de uma banda famosa, mas não têm R$ 25 para ver os artistas da sua cidade”, conclui.