Mais associado à cena musical jazzística ou mesmo à erudita, o vibrafone vem ganhando destaque pelas mãos de jovens e talentosos instrumentistas que também transitam por outros universos sonoros. Caso do mineiro Fred Selva, 24 anos. O percursionista e vibrafonista, aliás, está na programação da “Virada Cultural de BH”, que acontece nos dias 12 e 13 desse mês. Na ocasião apresenta o repertório de “A Estranheza e o Poliglota”, CD lançado esse ano, com foco no vibrafone.
 
Selva descobriu o instrumento aos 18 anos, quando entrou para a Faculdade de Música da UFMG, e logo comprou um. “Com ele, tenho mais espaço para a criação e a experimentação. Ao contrário de um instrumento mais ‘antigo’, como o piano, pois muitas coisas já foram inventadas com ele”, justifica Selva, que percebe um movimento maior dos músicos em torno do vibrafone. “Eles estão colocando pedais no instrumento. Já tem versão elétrica e outros avanços”, salienta.
 
O músico toca o vibrafone (com teclas de alumínio, em uma disposição que lembra o piano) com baquetas, o que desperta a curiosidade do público. “Depois das apresentações, costumo receber pessoas curiosas, que perguntam tudo sobre o instrumento”, conta.
 
Alto Custo
 
Por ser ainda pouco difundido no Brasil, não é de se estranhar que existam poucas lojas especializadas no instrumento. “Quando têm, são muito caros. Contamos com poucos luthiers em Belo Horizonte e São Paulo”, afirma.
 
O multi-instrumentista Antonio Loureiro, 29 anos, concorda. O “paulistano de coração mineiro”, como ele mesmo diz, por ter vivido muitos anos na capital mineira, trouxe o seu instrumento da Holanda. “Quase não há assistência técnica aqui, no Brasil”. O jeito, pois, é se virar com o que tem. Mas Loureiro vislumbra uma cena em ascensão. “O público não conhece muito o vibrafone, mas estamos nos movimentando ao máximo para difundi-lo”, afirma Loureiro. “Temos poucos, mas bons vibrafonistas no Brasil, e tentamos fazer parcerias para que essa cena cresça”, pontua.
 
O fato de ser um instrumento melódico e harmônico foi o que chamou a atenção de Loureiro, que esse ano se apresentou no “Savassi Festival” em duas oportunidades. Uma delas foi participação especial em uma das peças sinfônicas do pianista André Mehmari. “Criar uma peça para um vibrafone solista em uma orquestra é muito raro. Tive espaço para a improvisação. Foi uma honra”, rememora ele, que está às voltas com composições para seu próximo disco, que deve ser lançado em 2016. “Vai ser meu primeiro disco como vibrafonista”, orgulha-se.
 
Milla Milowski/divulgação
Vibrafone conquista adeptos entre os músicos mineiros, instigando o público
RODRIGO HENRINGER – O integrante do Assanhado ressalta a contribuição do
instrumento na parte rítmica e harmônica
 
‘É um timbre diferente, mais metálico, que gera curiosidade’
 
Tradicionalmente composta por flauta, bandolim, cavaquinho, violão e pandeiro, a roda de choro ganhou instrumentos pouco usuais ao gênero no disco “Feira”, do grupo mineiro “Assanhado Quarteto”, lançado no último domingo, no Mercado Distrital do Cruzeiro. Aos instrumentos já citados somaram-se o baixo-acústico, a bateria e ele, o vibrafone.
 
A utilização do vibrafone agrega uma sonoridade nova, mas que transita com muita naturalidade pelas canções. “É um timbre diferente, mais metálico, que gera curiosidade e chama atenção. Ele tem uma contribuição imensa na parte rítmica e harmônica”, explica o vibrafonista do grupo Rodrigo Henringer, de 28 anos.
 
O músico já atuava profissionalmente como percussionista quando teve contato com o vibrafone, aos 20 anos. “Como é um instrumento muito grande e raro, as pessoas querem saber nome, história etc”, afirma Henringer, que sente certa resistência do público mais velho ao ver o vibrafone em uma roda de choro. “Como não é muito comum, eles olham ressabiados. E os mais jovens, com mais curiosidade. Mas, no final, agrada a todos”, conta.
 
Estudos
 
Uma das dificuldades de Rodrigo é encontrar arranjos de choro prontos para vibrafone. “Não existe muito, então cada um vai desenvolvendo sua forma de tocar e seus próprios sons, o que confere autonomia”, elucida.
 
Esse fator levou o músico a aprofundar os estudos na área. Ele faz mestrado e sua pesquisa é sobre o vibrafone no choro.
 
Como se trata de um instrumento grande, transportá-lo não é tarefa fácil. “Não dá para usar o transporte público, por exemplo”, comenta ele que, nessa hora, conta com a ajuda dos amigos. “Eles são sempre solícitos, e isso é um fator de fortalecimento do grupo”, acredita.
 
Além disso
 
O vibrafone é um instrumento de percussão que surgiu em 1920. É composto por diversas teclas de metal com altura definida. São 37 teclas montadas em um suporte sobre tubos que servem para amplificar seu som. Um mecanismo de corda ou elétrico faz circular o ar dentro dos tubos, o que resulta num som trêmulo, e daí surge seu nome. Tecnicamente, foi baseado no Xilofone, com algumas modificações.
 
O vibrafonista pode utilizar de duas a seis baquetas revestidas de lã ou feltro para produzir melodias e acordes. O instrumento foi introduzido na orquestra sinfônica pelo compositor austríaco Alban Berg, na ópera “Lulu” (1934).
 
Outro gênero musical que abraçou o vibrafone foi o jazz. Um dos grandes vibrafonistas dentro desse ritmo foi o norte-americano Milton Jackson (1923-1999).
 
“O brasileiro já ouviu o som do vibrafone em algum momento, mas não sabe que vem desse instrumento. Queremos mudar essa realidade” Antonio Loureiro, Músico
 
Na história do choro o vibrafone já esteve presente, por exemplo, em disco de Jacob do Bandolim e Orlando Silveira. Na década de 1960, aconteceu um auge do instrumento na bossa nova
 
 
Confira alguns vídeos dessa galera em ação!
 
 
Fred Selva em duo com José Henrique Soares. Marimba e vibrafone:
 

 

Antonio Loureiro e Ricardo Herz e - Hipnose:

 

 

Rodrigo Henringer apresenta Um Vibrafone no Choro: