O primeiro semestre deste ano já foi bastante proveitoso para a artista plástica Yara Tupynambá. Ela, que sintetiza com riqueza de detalhes Minas Gerais em suas obras, teve seu painel “Sonho de Voar” recolocado, recentemente, no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, após quase três anos guardado em razão das reformas ocorridas no local.
 
Yara – entrevistada do Página Dois de amanhã, no Hoje em Dia – ainda teve sua obra “Reservas Ecológicas de Minas Gerais” exposta na fachada digital do Espaço do Conhecimento UFMG, na Praça da Liberdade. E para concluir o bom momento, ela foi a homenageada do 47º Festival de Inverno da UFMG, que terminou ontem, com a inauguração da exposição “Yara Tupynambá”. A mostra reúne, no saguão da reitoria (campus Pampulha), algumas das obras da artista, produzidas em diferentes períodos de sua carreira.
 
“Esses três acontecimentos completam meu ano”, comenta a artista que está debruçada sobre o processo de criação de um painel de dez metros de largura, que será instalado na Unidade de Pronto Atendimento de Contagem, em agosto desse ano. “Estou fazendo a história de Contagem. Os seus momentos mais importantes, desde sua construção até os dias de hoje”, explica.
 
Uma das poucas alunas vivas de Alberto da Veiga Guignard (1896–1962), Yara, hoje aos 83 anos, já produziu mais de 100 painéis e murais, que estão espalhados pelo país. Mesmo com todo esse acervo, ela nem pensa em se aposentar. “Nunca. Eu quero ser feito Chagall, que morreu com um pincel na mão. Deu a última pincelada e bateu com a cabeça no quadro. Um artista nunca se aposenta”.
 
‘Aonde o povo está'
 
Sempre preocupada em estar aonde o público está, a artista criou o painel “O Circo”, que desde 2012 ocupa o Teatro da Cidade, na rua da Bahia. Yara lamenta o fechamento do espaço – divulgado na última segunda (20). “Estou tristíssima. Não pelo painel, mas pelo trabalho do Pedro Paulo Cava. Encerrar o trabalho dele em Belo Horizonte, significa uma defasagem enorme para o teatro mineiro”.
 
Na entrevista da Página Dois de amanhã, a artista faz ponderações sobre os rumos da cultura em BH, além de comentar sobre o ensino das diversas artes no Ensino Fundamental.
 
“Todo mundo fala que a arte não tem função. Mas é ela que te traz uma vida espiritual, e te torna melhor perante o mundo”