O grupo chegou até a ser comparado ao projeto franco-argentino Gotan Project, por misturar música tradicional a batidas eletrônicas e sonoridades mais contemporâneas. Mas a verdade é que o coletivo Samba Noir, que desembarca nesta quinta-feira em BH, possui linguagem bem própria, que consegue ser instigante e popular ao mesmo tempo.
 
A ideia partiu de Luís Filipe de Lima – violonista e arranjador com vasta experiência em musicais dos teatros do Rio de Janeiro – e Kátia Bronstein, ou só Kátia B, cantora que sempre fez questão de se aventurar por sonoridades diferenciadas. Para que fosse concretizada, convidaram, ainda, dois instrumentistas renomados: o percussionista Marcos Suzano e o baixista Guilherme Gê. Logo após o nascimento, o projeto conquistou um importante patrocínio, o da Petrobras, que garantiu a gravação do disco homônimo e uma turnê por várias capitais brasileiras.
 
“Graças a esse modelo de patrocínio, conseguimos amadurecer bem a música. Fizemos uma série de 12 shows no Rio, testando arranjos e linguagem para o repertório com calma. Só depois fizemos a peneira para o disco”, conta Luís Filipe de Lima. Segundo ele, além do repertório musical – que abarca composições de Cartola, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues e outros mestres –, o público também poderá se encantar com o cenário do show, que seria “uma verdadeira instalação artística”.
 
“A gente toca dentro de uma ‘caixa’, feita com uma estrutura de tecido transparente, na qual são projetados grafismos e vídeos das pessoas que participaram do disco”, adianta Lima, se referindo a Egberto Gismonti, Jards Macalé, Arto Lidnsay e Carlos Malta. A direção de arte foi assinada por Batman Zavareze, que já havia trabalhado com grandes como Marisa Monte. “O interessante é que cada um de nós é de um universo. E temos uma maturidade importante. Algo que me tirou da zona de conforto”.
 
Samba Noir no Teatro Dom Silvério (rua Nossa Senhora do Carmo, 230, São Pedro). nesta quinta-feira (23) e sexta-feira (24), às 21h. R$ 40 e R$ 20 (meia).