Pode parecer incoerente, mas o fato é que o passado chegou com força ao presente e, ao que tudo indica, veio para ficar. Graças aos saudosistas, que estão resgatando ícones, ritmos e vestuário “antigos” para relançar moda. A proposta vem conquistando até mesmo quem não viveu a época, desmitificando a ideia de que quem gosta de passado é museu.
 
As irmãs Sandra e Dina Costa, de 31 e 42 anos, respectivamente, que o digam. As duas sempre curtiram o movimento pin-up – que exaltou a sensualidade feminina e quebrou paradigmas entre os anos 1930 e 1950 –, embora não tenham sido contemporâneas dele. Do fascínio e da admiração pela avó (“Uma verdadeira pin-up”, dizem), surgiu a ideia de investir na moda retrô.
 
A dupla tem um ateliê em Ribeirão das Neves, na Grande BH, e vende, pela internet, modelos das décadas de 1940 e 1950 para todo o Brasil. Do nome da marca (Upsy, da antiga expressão inglesa upsy daisy, ou “upalelê”, em português) às embalagens dos produtos, tudo foi planejado para ilustrar a proposta do negócio: resgatar velhos e bons tempos.
 
“Tem muitas senhorinhas que são nossas clientes. Como também trabalhamos com moda praia retrô, elas ficam apaixonadas pela possibilidade de usar as mesmas roupas que usavam quando eram jovens”, avalia Sandra.
 
Túnel do tempo
 
No caso do músico Maurício Hita, de 40 anos, foram os anos 80 que marcaram história. Três décadas depois, ele traz de volta à cena de Belo Horizonte os clássicos da época. Além de animar o público, o vocalista da banda Companhia Retrô garante a própria satisfação.
 
“Há uns quatro anos, descobri em BH eventos com essa temática e decidi que queria fazer isso também. Montei a banda e dei a ela uma produção diferente: durante os shows, eu e outros integrantes trocamos de roupa várias vezes”. 
 
A combinação de velhos sons e cores resultou em uma linguagem transcendental. “Até os mais jovens entram no ritmo quando veem um cara de 40 anos cantando na mesma vibe deles”.
 
Preferência
 
Já a estudante de Arquitetura e Urbanismo Amanda Ribeiro, de 24 anos, surpreendeu os mais velhos quando começou a dançar – e a adorar – rockabilly, sub-gênero do rock and roll lançado no início da década de 1950. “Já falaram que sou nova demais para curtir coisas velhas. Mas, convenhamos, o que temos de novo hoje não chega aos pés dos grandes astros do rockabilly. Prefiro ser ultrapassada”, diz Amanda, sobre o estilo que tem como referência máxima Elvis Presley. 
 
Outro artigo de luxo e de época que anda em voga: os carros que levam as noivas até a igreja. Muitas vezes, os modelos de automóveis são novos, mas com toda pinta de retrô. 
 
“Eles fogem do estilo que encontramos todo dia, o que tiraria o brilho das noivas. A ideia é voltar ao passado mesmo, a anos mais românticos”, conta a empresária Gisely da Silva. Ela e o marido possuem três modelos de carros “antigos” para locação e já se preparam para adquirir o quarto, tamanho o sucesso dos “velhinhos”.