Nada de lamentações. Nem de choradeira. Na contramão dos títulos que arrebatam leitores mostrando o drama de quem sofre de câncer, “Sorrir é o Melhor Remédio” explora a felicidade. Uma fórmula que está longe de surpreender quem conhece a autora, Thais Macedo. “Não daria para começar o livro a partir da doença. Até para ele não ficar triste, pois não sou assim. Fiz da forma mais leve possível”, explica.

Juíza do trabalho, ela recebeu o diagnóstico em 2013. Afastou-se do trabalho, mas não da própria alegria. Incentivada pelo marido, resolveu escrever como uma forma de lidar com as adversidades. A expectativa, diz, é a de que a autobiografia ajude outras pessoas a enfrentarem situações semelhantes.

Escrita em apenas dois meses e em tom pessoal, a publicação está longe de ser um título de autoajuda. “É um livro de memórias e de reflexão pessoal”, avisa Thais, hoje com 35 anos. Nas 191 páginas, ela resgata lembranças da infância, do trabalho e do namoro que terminou em casamento com Daniel, com quem teve dois filhos: João Pedro, de 5 anos, e Laura, de 4.

“Eu tinha que explicar desde o começo porque sou hoje o resultado do que vivi”, resume a juíza, que aconselha outras pessoas a se aventurarem pelo mundo das letras. “Na autobiografia, você relembra fatos e consegue entender quem é. Para mim, foi uma experiência muito boa”.

Solidariedade
Thais lançou a publicação de forma independente. A renda arrecadada com a venda dos exemplares é revertida para instituições que atendem pacientes com câncer. O Instituto Mário Penna e a Casa de Apoio Aura, em Belo Horizonte, receberam doações.

Foram impressos 2 mil exemplares, dos quais restam 400. No fim do livro, o leitor encontra a letra da canção “Smile”, de Charlie Chaplin. A música é uma das preferidas da autora, apaixonada por livros de romance e ficção.

“Foi uma forma de mostrar que devemos viver o hoje da melhor forma possível, sem nunca perder o sorriso. Por mais piegas que possa parecer, tudo tem um lado bom”, pontua Thais, que está em tratamento por tempo indeterminado, mas não deixa de viver intensamente ao lado da família e dos amigos.