A torcida dos mineiros no Oscar não se resume ao documentário “O Sal da Terra”, sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, nascido em Aimorés. O polonês “Ida”, concorrente na categoria de melhor filme em língua estrangeira, tem um “pezinho” em Minas, a partir de sua distribuidora no Brasil.

É a primeira vez que a Zeta Filmes, com sede em Belo Horizonte, tem um de seus títulos entre os nomeados para a estatueta dourada, embora outros já tenham abocanhado prêmios importantes em festivais. Ela foi criada há dois anos pelas irmãs Daniella e Francesca Azzi e por Eduardo Garretto.

“Essa indicação faz uma diferença impressionante nos cinemas. As pessoas realmente fazem uma listinha dos filmes do Oscar e veem todos”, registra Daniella. Em cartaz desde 25 de dezembro (em Belo Horizonte, foi lançada no último dia 15), a produção já tinha sido vista por 33 mil espectadores até domingo passado.

“A bilheteria é surpreendente para o tamanho do filme”, destaca, lembrando que se trata de um longa-metragem polonês em preto e branco. Daniella assinala que o fato de “Ida” aparecer também entre os indicados à fotografia é “um bom indício de que (os votantes) pensaram nele além da categoria de estrangeiro”.

A Zeta não enfrentou concorrência para ter o filme em seu acervo. “Eu e a Francesca estávamos em Paris quando resolvemos ver um filme numa salinha da MK2. Gostamos da concisão narrativa dele. É muito bem construído, sem deixar nenhuma ponta solta. Fomos atrás dos produtores e tivemos uma negociação muito tranquila”, recorda.