Na certidão de nascimento, francês. Juliano Ribeiro Salgado, 40 anos, porém, sempre se sentiu “totalmente brasileiro”. Quando criança, se apresentava aos colegas como “um mineiro em Paris”, devido às origens de seu pai, Sebastião Salgado, um dos mais importantes fotógrafos do mundo. Por tudo isso, podemos dizer, sim, que Juliano poderá ser o primeiro brasileiro a ganhar o Oscar.

Assista ao trailer do documentário:

 

Poucas horas depois do anúncio dos indicados ao Oscar, o grande prêmio da indústria cinematográfica, em entrevista ao Hoje em Dia, de Berlim, onde atualmente reside e trabalha, o diretor do documentário “O Sal da Terra” ainda não havia processado direito o que a nomeação representaria para a família e, fundamentalmente, para o filme feito ao lado do cultuado diretor alemão Wim Wenders. “O que posso dizer agora é que essa nomeação trará um foco muito grande ao filme e também à sua mensagem. Através do ‘Tião’ (Sebastião Salgado), através da experiência dele, estamos tentando passar a ideia de que, apesar da dificuldade de ser otimista hoje em dia, o mundo pode mudar para melhor”, destaca.

O documentário acompanha a expedição do fotógrafo por regiões inóspitas do mundo, para o projeto “Gênesis”, e ainda conta a sua trajetória, com imagens de infância em sua cidade natal, Aimorés, Minas Gerais, onde Sebastião (hoje com 70 anos) fundou (ao lado da mulher, Lélia) o Instituto Terra, organização ambiental dedicada ao desenvolvimento sustentável da região do Vale do Rio Doce.

Com lançamento em março no Brasil, “O Sal da Terra” não teve uma produção fácil, como admite Juliano. Os problemas aconteceram durante a edição, quando ele e Wenders não compartilhavam a mesma visão artística. “Depois nos demos conta que, se quiséssemos chegar a algum lugar, exibindo a força de Tião, teríamos que sentar juntos e deixar os egos de lado. Não é uma experiência que quero repetir, mas amadureci muito com ela”, pondera.

Dos concorrentes, Juliano conhece apenas “Citizen Four”, sobre as revelações de espionagem compartilhadas por Edward Snowden. E não poupa elogios. “Um filme fantástico, que deve ser visto. É assustador, ao mostrar como estão tentando acabar com a ideia de liberdade e democracia”, analisa.