Nem é preciso fazer uma enquete. Todo pai sonha em ver o seu filho se interessar pelo mundo das artes – a brasileira incluída. Pois bem, o livro “Para Ler e Ver Com Olhos Livres” (Nova Fronteira) visa justamente despertar a atenção para esse riquíssimo universo. A obra, cumpre dizer, acabou faturando uma das categorias do Prêmio Jabuti 2014. Logo nas primeiras páginas, as autoras Flávia Aidar e Januária Cristina Alves falam de seus objetivos: promover um voo panorâmico sobre parte da produção artística brasileira dos séculos 20 e 21. Mas não só. Esse percurso pode ser feito também por meio de um jogo de esconde e acha, em que cada obra, cada artista, vai “abrindo o seu olhar para as muitas e diferentes formas de ver, conhecer e perceber”.

Os trabalhos são apresentados aqui por ordem alfabética – o que acaba sendo um facilitador. E a viagem, claro, começa pela letra “A”, de “Abaporu”, um obra emblemática de Tarsila do Amaral, de 1928, uma época em que os pais dos nossos pequenos leitores nem sonhavam em nascer. Até a letra “Z”, há muitas obras, inclusive mais recentes: na verdade, já na letra “B” temos uma produção de 1996, o “Beija-Flor”, peça de cedro e óleo de Efrain Almeida. Um salto de exatos dez anos e estamos na página seguinte, na qual a letra “C” abriga uma acrílica sobre foto sobre PVC, de Alex Flemming.

Deu para perceber que a obra percorre vários “suportes” – uma palavra em moda no mundo das artes, e que se refere às várias formas de extravasar a veia criativa. Os suportes podem ser a pintura, o desenho, a escultura e a fotografia, para citar alguns. E mesmo entre esses segmentos, há subdivisões. No caso da pintura, por exemplo, existe a pintura a óleo, acrílica sobre tela...

Independentemente disso, o que está em jogo, aqui, são os temas atrelados à já citada ordem alfabética. E se fosse gosta de gatinhos, vá correndo à letra “G”. Lá está uma obra de um artista que adorava felinos, Aldemir Martins. A tela (acrílica sobre tela, na verdade) é de 2001, e se chama “Gato Azul”.

Uma obra moderna a toda prova, os parangolés são os responsáveis pela letra “P”. Não, não precisa preocupar. Se você nunca ouviu falar deles e do artista responsável pela sua criação, Hélio Oiticica, é só correr à página 39.

Ah! O grafite, que é uma arte bem contemporânea e urbana, está na letra “S”, no caso, a obra “Sierra Sam”, de Alexandre Órion, de 2011 – ou seja, bem recente. Ela está na Usina Termoelétrica Norte Fluminense, em Macaé, Rio de Janeiro.

Em tempo: a letra “Z” tem sim, a sua obra de arte representativa: no caso, “Zero Dollar”, de Cildo Meirelles. Importante frisar, antes de colocarmos o ponto final, que, nas últimas páginas, há uma pequena biografia de cada artista aqui representado. Legal, não?