O discurso oficial dos monumentos em contraponto com sua ruína é o mote da mostra “Movimento Vidraça Monumento Ruína”, de Daniel Bilac, que será aberta nesta quarta-feira (19) para visitação no Memorial Minas Vale e permanece em cartaz até janeiro de 2015.
 
Do alto de seus 27 anos, Bilac é representado por uma das galerias mais importantes da cidade, a Celma Albuquerque. Formado pela Escola de Belas Artes da UFMG, o artista é reconhecido pela sutileza de suas obras que misturam diversas técnicas como desenho, pintura e colagem.
 
Neste trabalho, Bilac mostra o processo de ressignificação da obra monumental. “O monumento pretende ser a última palavra de um discurso, mas o mesmo sofre modificações pela ação do tempo, vandalismo, e fenômenos naturais. O que o descaracteriza e gera novo significado. Estou falando nesse trabalho do início da ruína”, elucida.
 
Para dar corpo a esta reflexão, Bilac lançou mão de diversas técnicas, como o carimbo, desenho, impressões gráficas, entre outras, que resultou em uma obra que nos remete ao universo do graffiti e do “pixo”, mas sem perder sua característica pictórica.
 
Durante seis anos, o artista trabalhou intensamente com figuras de cães. No novo trabalho, ele resgata a figura do cavalo como representação da força dos monumentos e o pombo como contaminação e presença indesejada. “Animais sempre estiveram presentes nas minhas criações, pois são carregados de significados que imprimem uma vivacidade no trabalho final”.
 
A mostra integra a segunda edição do “Ciclo de Exposições para Jovens Artistas Mineiros”, organizado pelo Memorial Minas Vale, por meio de edital. “Este projeto é uma via de mão dupla, pois apresenta novos nomes ao mesmo passo que fortalece a formação de público”, acredita um dos curadores do Ciclo de Exposições, Eduardo de Jesus.
 
Exposição “Monumento Vidraça Monumento Ruína” no Memorial Minas Vale (Praça da Liberdade). Às terças, quartas sextas e sábados, das 10h às 17h30. Quinta, das 10h às 21h30. Domingo, das 10h às 15h30. Até 18/1/2015.