Não há fronteiras para a música – nem territoriais muito menos de faixa etária. É nessa direção que caminha o espetáculo “Operilda na Orquestra Amazônica”, que propõe uma abordagem inovadora e criativa junto ao universo da música erudita brasileira. O musical infantil – com a atriz e autora Andréa Bassitt – será apresentado pela primeira vez em Belo Horizonte neste sábado (4), a partir das 17h, no Cine Theatro Brasil Vallourec.

Nele, a garotada – e também os adultos – terão acesso a um repertório de composições de grandes mestres: Alberto Nepomuceno, Padre José Maurício, Carlos Gomes, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Xisto Bahia, Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Guerra-Peixe e Tom Jobim, além de músicas de origens folclóricas, africanas e indígenas. Cumpre dizer que o repertório é mostrado de forma lúdica. “As crianças interagem muito bem e os adultos costumam ficar surpresos. Não se tem o conhecimento da música erudita brasileira e acham que vai ser chato. Não éo, as crianças vão com o pai e depois voltam com toda a família, mãe, tio, a avó. É emocionante. Há brincadeiras, como no momento em que falo pela primeira vez o nome de Villa Lobos, que troco para ‘Villa-Bolos”. Da primeira vez, às vezes, não entendem, mas na, segunda, como já sabem, gritam. É emocionante quando o espetáculo consegue transmitir informação”, ressalta Andréa Bassitt.

A montagem – divertida e contagiante – conta com músicos tocando ao vivo no palco, sob direção geral de Regina Galdino e direção musical do maestro Miguel Briamonte. O enredo do espetáculo parte da história de Operilda – interpretada por Andréa –, uma bruxinha que tem a tarefa de contar a história da música erudita brasileira para crianças.

Andréa conta que criou a história a partir do “Concertos Didáticos” com o maestro João Maurício Galindo, do qual participou por sete anos.

Ela ressalta a influência do negro na música brasileira, representada no espetáculo. “É um caldeirão muito influenciado pela música dos negros. Eles mudaram a nossa música. Entram com os batuques, que geram o samba, por causa do ritmo sincopado, uma batida diferente”, frisa Andréa.