Há muitos anos Pitty é o principal nome feminino do rock nacional, especialmente por sua capacidade de amadurecimento musical a cada trabalho lançado. Em seu recém-lançado “SETEVIDAS” (Deck), ela mantém sua essência, mas com uma produção mais cuidadosa, sem excessos, até mesmo nas canções mais pesadas. “A estrada é longa, mas o tempo vai passando e a gente vai aprendendo a encaixar as coisas direitinho”, diz a cantora e compositora baiana de 36 anos.

Com produção de Rafael Ramos e mixagem de Tim Palmer (que mixou o clássico “Ten”, do Pearl Jam), o disco apresenta um som mais cru e orgânico. “Queria que ele tivesse uma sonoridade interessante, que fosse denso. Procurei trabalhar as letras com bastante atenção e cuidado. Busquei um uso da percussão de forma mais presente também”, afirma Pitty. “Quis ainda timbres de voz mais inusitados usando efeitos e um texto mais poético”.

Ela assina todas as faixas do álbum, sendo algumas com parcerias caseiras. Em “Olho Calmo”, ela conta com a participação de toda a sua banda na criação. Em outras três faixas, a parceria é feita com o guitarrista Martin, amigo com quem realizou o projeto paralelo Agridoce.

E por falar nesse projeto, responsável por um álbum suave, lançado há dois anos, Pitty acredita que as experiências realizadas no Agridoce contribuíram para a criação desenvolvida em 2014. Importante para o som orgânico e no trabalho de voz – que continua potente, mas um tantinho mais acertada.

“O Agridoce foi mais um passo na experimentação, no uso de instrumentos diferentes, no canto diferente em tom mais baixo. Acho que essa é uma bagagem que somou nesse processo”, afirma a cantora, que pode ser ouvida na trilha da novela “Geração Brasil” com a faixa-título.