Hannah Arendt é uma das personalidades mais importantes do século 20 e seus livros foram fundamentais para a construção da historiografia contemporânea. Sua relevante construção filosófica agora também é levada ao universo do Direito com o livro “A Música e o Vazio no Direito do Trabalho: Reflexões Jurídicas a Partir de Hannah Arendt” (editora Initiavia), do advogado e músico Matheus Brant.

Resultado de uma dissertação de mestrado do artista na Faculdade de Direito na UFMG, a obra será lançada esta noite, no Café 104. Na ocasião, o artista também vai apresentar cinco músicas que formam um disco encartado ao livro, que foram compostas durante o processo de pesquisa e focadas na temática.

A ideia para tratar do Direito do Trabalho a partir da filósofa alemã aconteceu enquanto Brant lia “A Condição Humana”, em que Arendt fala sobre as várias atividades do homem – entre elas, o trabalho. “Ela afirma que, depois da Revolução Industrial, o trabalho humano passou a ser feito apenas para conseguir a subsistência material. O homem trabalha para sobreviver. Mas em outras épocas, o trabalho já teve outras conotações, como satisfação, prazer, identificação, algo que se perdeu um pouco”, afirma Brant.

A relação com a profissão de músico partiu da própria Arendt, que acreditava que os artistas são os únicos trabalhadores que teriam a possibilidade de tratar o trabalho de maneira diferenciada da herança deixada pela Revolução Industrial. “O artista consegue vivenciar outras dimensões do trabalho”.

Lançamento de “A Música e o Vazio no Trabalho” no Café 104 (Praça Rui Barbosa, 104, Centro). Hoje, às 20h.ivro por R$ 50