Fernando Pessoa (1888-1935) é atual e ainda fonte de inspiração para novos estudos acadêmicos. Prova disso é o lançamento do livro “Vertigens do Eu: Autoria, Alteridade e Autobiografia na obra de Fernando Pessoa”, de Lisa Carvalho Vasconcellos, hoje, a partir das 11h na Livraria Quixote (Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi). A obra – que será comercializada ao preço de R$ 35 – sobre o poeta português é resultado da tese de doutorado defendida pela professora na USP. 
 
Com graduação em Letras pela UFMG e doutora em Teoria Literária pela USP, Lisa Carvalho considera que, a cada novo estudo, descortina-se um novo olhar sobre a obra do autor. “Acontece que, ainda hoje, se publica coisas inéditas de Pessoa, existem publicações importantes de 2008 e 2011, ainda há coisas importantes dele saindo nesse momento. Embora essas publicações recentes não mudem o valor da poesia já publicada do autor – reconhecida no que já tem de melhor – com certeza mudam a forma de compreender a obra como um todo. A sensação que tenho é que o ‘projeto Pessoa’ se revelou, e que agora é possível esse olhar de fora”, avalia.
 
Para ela, a obra do bardo é uma fonte inesgotável e que não se perde com o tempo. “Fernando Pessoa é um poeta muito reconhecido e, obviamente, isso causa uma certa saturação, talvez o receio de enfrentar um autor como esse, com tantas biografias, com tanto o que já se escreveu a respeito. Há esse reconhecimento e hoje estamos numa fase contrária, de cansaço, tão perigosa quanto a falta de reconhecimento. A ideia de que tudo já foi dito, de que não há nada a mais a estudar, de que o autor está superado. E é o contrário. Não está, e ainda há muito para se estudar a respeito”, alerta.
 
Estratégia
 
O genial poeta se valia de muitos “eus”, como os inigualáveis heterônimos – Alberto Caieiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Para a professora mineira e pesquisadora da Universidade Federal da Bahia, esse desdobramento em tantos personagens era um recurso. “Na realidade acho mais interessante se entender esse desdobramento como estratégia ficcional, ao invés de procurar isso na psicologia do autor. Entender que isso é uma técnica como qualquer outra; certos modelos poéticos não são só personalidade, representam a poesia ideal”, ressalta.
Esta não é a primeira empreitada de fôlego da professora Lisa Carvalho, 35 anos. Antes de Pessoa, ela mergulhou no universo roseano com o livro “Figurações da Leitura”, lançado pela Editora Scortecci, uma dissertação de mestrado sobre o romance “Grande Sertão: Veredas”.