A ficha técnica do disco “Chuvarada” tem um diferencial. “É uma seleção (risos). Me dá um orgulho danado”, confessa a “dona” do trabalho, a cantora Lia Sabugosa, referindo-se ao número de músicos que aglutinou para o projeto. Como o álbum tem três produtores – Alexandre Vaz, Cesinha e Rodrigo Vidal – e cada um tem os músicos com os quais costuma trabalhar, Lia foi misturando essa galerinha com a que já tocava com ela. “O que, acho, ajudou a dar uma unidade”. 
 
“Fiquei muito feliz com esse trabalho, só tenho a agradecer. Como digo no encarte, o disco contém muito amor”. O fio condutor acabou sendo a voz. “Sou intérprete, estou começando a compor agora. Então, acho que o que pode caracterizar mais o disco é justamente a minha maneira de cantar e o que quero dizer com as canções. Tentei fazer um disco mais leve, mas sempre tem a hora de ‘pesar’, de interpretar. Gosto disso e acho que faço bem”. 
 
O disco é independente, com distribuição virtual da Sony. “Estamos experimentando agora (esse processo). O negócio é unir forças, usar todas as ferramentas possíveis, canais da internet, imprensa, boca a boca... Tentar espalhar a ‘Chuvarada’ por aí”, brinca a moça.
 
No feixe de canções, ela destaca “Primeira”. “Tem esse nome porque foi a primeira música que compus. Comecei com a parte A, melodia, harmonia e letra, e não conseguia sair dali. Aí fiz uma parte para o final, mas faltava um refrão, alguma coisa. Mandei a música ao meu irmão, Felipe, achei que parecia com as coisas dele. Rápido, me devolveu um refrão sem letra, dei para a Mila Bartilotti e ela terminou”. 
 
Já “Sem Você é dela com Monique Kessous. “Ela estava lá em casa, pegou o bandolim e fez dois acordes, de brincadeira. Depois, no Skype, fomos construindo-a quase toda num mesmo dia”.
 
“Adaga”
 
As músicas que Cesinha produziu também têm histórias interessantes. “Adaga”, ela já queria gravar há um tempo. “Tinha ouvido com Les Pops, banda do Daniel Lopes e Rodrigo Bittencourt, mas procurava o jeito de fazê-la, um arranjo mais brasileiro”. 
 
Quando o CD já estava quase pronto, um trio “diferente” foi montado. Luiz Brasil para tocar guitarra, mas de dedo, sem palheta; Dé Palmeira, para fazer um baixo mais pesado, e o Cesinha tocando um frevo, só que numa levada mais pop. Só os três, sem nenhum overdub, como se fosse ao vivo. A única coisa que entrou depois foi um moog que o Carlos Trilha gravou. Ficou sensacional!”, brinda. 
 
‘É muita gente boa e amiga ao mesmo tempo’, comemora a moça.
 
Outra música produzida por Cesinha foi “Não Vou Me Adaptar”. “Nela, o Cesinha toca quase todos os instrumentos: bateria, baixo, bandolim... Depois a gente chamou o Davi Moraes e ele gravou várias guitarras, fazendo uma levada bem diferente de reggae”, conta Lia. 
 
Com o Rodrigo Vidal, uma banda foi montada para fazer as bases. “O Lancaster Lopes e Rodrigo Nogueira que já tocavam comigo, mais o Cesinha e Fernando Caneca, que gravam muito com o Vidal. Depois o Carlos Trilha, que também havia gravado as bases como técnico, tocou piano e órgão”. Em seguida, Luiz Brasil foi convocado para fazer o arranjo de metais de “Nervos de Aço”. 
 
Já com Alexandre Vaz foi ainda mais misturado. “Ele trouxe o Lourenço Monteiro, que eu já conhecia, mas com quem nunca tinha tocado junto, e o Rodrigo Tavares, tecladista criativo e sensível, também grande amigo, com quem eu já havia gravado uma faixa no disco anterior. Aí juntou com Cesinha, Jorge Ailton e o próprio Vaz nas guitarras”. E foi em “Toneladas”, faixa produzida por Vaz, que Lia Sabugosa teve o prazer de ter Paulinho Moska cantando. “Nas faixas do Cesinha, tivemos Dé Palmeira, Luiz Brasil e Davi Moraes. É muita gente boa e amiga ao mesmo tempo. Nas composições a mesma coisa, fui procurando os amigos e pesquisando. Como o espaço entre um disco e outro é sempre grande, temos tempo de trabalhar bastante para que aquele seja sempre o melhor disco da carreira”, conta ela, toda entusiasmada.