Desde que se lançou como cantora, em 1987, Marisa Monte soma conquistas bastante impressionantes: segundo o Wikipédia, já “vendeu mais de 10 milhões de discos, ganhou prêmios nacionais e internacionais (três Grammy Latino, sete Video Music Brasil, nove Prêmio Multishow de Música Brasileira, seis Prêmio Tim de Música, cinco APCA), é considerada pela Rolling Stone Brasil como a maior cantora do país. Dois dos seus oito discos (“MM” e “Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão”) figuram entre os 100 melhores da música brasileira. Precisa dizer mais?

A tudo isso se pode somar que seus shows se distinguem pelo capricho estético, pelos zelos de produção. “Verdade uma Ilusão”, o mais recente, retornou ao Chevrolet Hall para apresentações na sexta-feira (1) e no sábado (2), a partir das 22h. E são inegáveis as contribuições da iluminação e das projeções de vídeo assinadas por 15 artistas plásticos (dentre eles, os mineiros Cao Guimarães, Rivane Neuenschwander, Thiago Rocha Pitta e Marilá Dardot) para a beleza da cena. É um show sempre muito bonito de ver.

Quanto a escutar, o repertório de “O que Você quer Saber de Verdade”, base do show, engrena notável guinada romântica em comparação aos anteriores, com melodias mais singelas, envolvidas por arranjos refinados. A banda de nove figuras se comporta muito bem perante o material que lhe cabe, independentemente se foi intencional tornar popularesco o repertório, buscar ainda mais adesão de público.

Talvez o trio pernambucano cedido pela banda Nação Zumbi (Pupilo/bateria, Dengue/baixo e Lúcio Maia/guitarra) soe um tanto sub utilizado. A musicalidade de MM não parece desafiar seus talentos, enquanto o quanto são exímios não redimensiona o show, a musicalidade do espetáculo. O que nos remete à lógica de quem possui mais bala na agulha pode contratar o melhor para adornar o que é seu. Mesmo que ele não seja o melhor. É como ocorre nos shows de outros campeões de bilheteria, compositores de música irrelevante, mas cercado de grandes músicos.

Além disso, “Verdade uma Ilusão” parece pecar em termos de andamento. Passada a primeira metade, apegada às músicas mais recentes, recorrer aos sucessos antigos, mais bem recebidos pela plateia, ralenta a dinâmica da apresentação. Absolutamente nada contra a voz de Marisa, mesmo quando altera os registros que imprimiu nos discos e pareça frequentar menos as regiões mais graves, é uma delícia escutá-la. Quem sabe até para quem discorda do título que lhe conferiu a Rolling Stone Brasil, de maior cantora do país.

Marisa Monte no Chevrolet Hall (av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi). Sábado (3), às 22h. Mesas para 4 pessoas: R$ 840 (Setor 1) e R$ 760 (Setor 2). Arquibancada/3º Lote: R$ 180 e R$ 90 (meia). Informações: (31) 4003-5588