MOSCOU - O bailarino do Bolshoi Pavel Dimitrichenko, principal suspeito da agressão com ácido que desfigurou o diretor artístico do teatro, Serguei Filin, comparece nesta terça-feira (22) ante a justiça em uma audiência que se espera que aborde o ponto crucial do caso.

O caso, pelo qual Dimitrichenko pode ser condenado a doze anos de prisão, trouxe à tona as rivalidades ferozes e os conflitos internos na prestigiosa instituição.

Filin, de 42 anos, sofreu queimaduras graves e perdeu praticamente a visão desde que foi atacado com ácido no rosto no dia 17 de janeiro em frente a sua casa.

Um tribunal de Moscou começará a examinar o papel de Dimitrichenko e de seus dois cúmplices, o suposto executor Yuri Zarutski e o motorista Andrei Lipatov, acusados de "ferimentos voluntários premeditados".

Pavel Dimitrichenko, de 29 anos, está em prisão preventiva desde março e é suspeito de ter organizado o ataque.

Dimitrichenko, bailarino solista e militante sindical no Bolshoi, "tinha uma atitude extremamente negativa" em relação a Filin, revelou há pouco tempo o investigador Dimitri Altynov em uma entrevista ao jornal Moskovski Komsomolets.

"Falava com Zarutski (o suposto executor) dos problemas no Bolshoi, de Filin, que privava os artistas de seus prêmios (...) Zarutski propôs a ele então espancá-lo ou matá-lo", segundo Altynov.

O investigador acrescentou na entrevista que Dimitrichenko "se negou a matá-lo, mas aceitou aplicar-lhe um corretivo".

A imprensa russa ressaltou que a juíza do caso, Elena Maximova, pronunciou mais de 150 condenações em sua carreira, e nenhuma absolvição. Em 2005 julgou o magnata do petróleo Mikhail Khodorkovski, inimigo do Kremlin.